Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 27/08/2019

Marshall Maluhar, teórico da comunicação, aponta que homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens. Nesse sentido, analogamente ao universo artístico, ponderar o mundo da arte não só garante o respeito ao espaço do outro, como também, ensina o indivíduo a estabelecer limites quanto a maneira que deseja ser tratado.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que sempre que o espaço de alguém não é respeitado, a lei que garante o direito desse cidadão também não é. Assim sendo, ultrapassar limites em nome da arte não torna a ação menos abominável. Exemplificando essa realidade está o filme: O último tango em Paris, estrelado em 1972. Uma vez que o ator, obedecendo ao diretor do longa, interpretou cenas de estupro com atuações reais sem o consentimento da atriz, Maria Schoneider, a fim de garantir o sofrimento realista frente às câmeras. Dessa forma, impor limites na arte é garantir a não violação dos direitos individuais.

Em segundo plano, é importante salientar que existe um espaço de interpretação entre o objeto da arte e a representação. Dessa maneira, assim como a psicologia afirma que, quando uma criança é exposta a cócegas por um adulto, e mesmo que ela peça para parar ele não o faça, situações de desrespeito a sua vontade passam a ser normal. Analogamente a isso, quando uma criança exposta a um homem desconhecido e nu é tido como arte, um momento de abuso, propriamente dito, poderá ser confundido por esta, uma vez que os limites do que devem ou não ser aceitos foram desconstruídos.

É imperativo, portanto, que limites devem existir em todos os meios sociais, inclusive na arte. Por isso, cabe a administração dos museus, estabelecer classificação etária, além de reservar as obras que divergem dos princípios e crenças alheias - seja de cunho religioso ou sexual- um espaço distinto das demais obras. Assim, será garantido o direito de escolha de todo cidadão, e a arte servirá como ferramenta de luta, e não como arma.