Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 04/10/2019
Um dos fatores que colocam a raça humana no topo da cadeia alimentar é a capacidade interpretativa proporcionada pela arte,sendo isso o que a difere dos demais primatas. Segundo alguns filósofos do século XX, a possibilidade de se expressar artisticamente é a forma mais pura de definir-se como ser humano e alcançar estado de harmonia. Além disso, dentro da própria espécie ela sempre teve função de ruptura com padrões em diferentes épocas como feito pela Semana de arte de 1922, demonstrando que impor entraves a ela é algo desrespeitoso a própria natureza do homem.
Um filósofo que expôs essa visão sobre a arte foi Nietzsche, para ele era a única coisa capaz de unir a razão e a emoção gerando o perfeito equilíbrio, o que percebe-se através de sua célebre frase “temos a arte para não morrer de verdade”. Nesse trecho, definiu-a como um fator alienante mas que não tira totalmente da realidade, porque é um retrato de uma concepção pessoal sobre o universo palpável porém pelo ponto de vista de um terceiro. Visto isso, impedir a expressão é censurar o cérebro humano, instrumento que remove a condição primitiva,da viés social e serve como um definidor de comunidade,o que demonstra a necessidade de não se limitar a expressão artística.
A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um exemplo de rebelião ao comum,característica padrão da arte, em que houve a ruptura com o padrão parnasianista e europeu não condizentes a situação social brasileira da época,surgindo assim o modernismo. Outra evidência de rebeldia ao senso comum foi a transição entre o Barroco e o Neoclassicismo, no primeiro havia a pressão intensa da igreja, sendo extremamente teocêntrico e com rígidos padrões para limitação do artista. O segundo foi um movimento antropocêntrico, com a valorização do homem e da ciência, sendo mais livre que a primeira pois não havia uma norma, nem censura, muito menos o medo do pecado por reproduzir a realidade de seu tempo,panorama parecido com o que ocorre no Brasil atual,onde valores morais antigos são confrontados com uma arte que visa o progresso e a expressão de seu povo sem temer ameaçar as preconceitos intrinsecos a classe dominante do país.
Portanto, sendo a arte parte fundamental da cultura de uma nação, é dever do Ministério da Cultura a garantia da liberdade artística. Essa proteção pode ser feito por meio de financiamentos de instituições filantrópicas ligadas a arte para que essas possam expandir sua rede de ação, chegando a todo país. Essas campanhas de conscientização seriam feitas de Rio Grande do Sul ao Amapá, levando a essas populações arte clássica, moderna e pós moderna, incentivando a criação de novos artistas em todo país.