Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 22/10/2019

Na obra " Cegueira Moral", do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a questão do descontrole dos limites da arte, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto, tanto da falta de políticas públicas, quanto da tentativa de ultrapassagem da ética social pela arte. Diante disso, torna se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade ainda nesse século.

Sobretudo, é fulcral pontuar que a falta de limite da arte deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta de ação das autoridades, na criação de classificações no mundo das artes. Em consequência disso, há uma tentativa de alguns artistas em ultrapassar barreiras do senso social, por não ter classificação indicativa de público, pois inferem conceitos que necessitam de uma formação social já concluída, o qual não é o caso do público infantil. Desse modo, a arte pode afetar a formação psicológica da criança, sendo necessária a reformulação dessa postura Estatal.

Ademais, é imperativo ressaltar o uso de crianças na arte adulta como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam a arte encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem infringidas constantemente por alguns artistas contemporâneos. Em decorrência disso, crianças são usadas em exposições, nas quais elas não tem grau de maturidade necessário para sua interpretação correta, pois, de acordo com um estudo do portal de notícias G1, a maturidade só é alcançada após os 18 anos. Por certo, esse ato contribui  para esse quadro deletério.

Portanto, é possível defender que medidas políticas e sociais constituem desafios a se superar. É  fundamental, em vista disso, que o Poder Legislativo, em parceria com Ministério da Cidadania, proporcione a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que obriguem às exposições de arte a terem uma classificação indicativa, por meio de estudos no qual levantem qual é o publico apropriado, para que os jovens não sejam afetados por artes que sejam classificadas para adultos. Essa classificação criará exposições que sejam realmente voltadas ao público infantil. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo da expansão da arte e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.