Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 15/03/2020

A célebre obra “1984”, de George Orwell, relata em um universo distópico um Estado totalitário que, como no Nazismo, no Salazarismo e Fascismo, possui um controle massivo sobre a cultura presente no país, controlando o pensamento dos cidadãos e a liberdade de expressão. Transcendendo a Literatura e a História, e, além disso, observando a conjuntura atual vê-se frequentes tentativas de limitar o trabalho artístico de maneira impositiva, o que em um regime democrático e seguindo os preceitos afirmados pela Constituição Federal de 1988 é um enorme impasse.

Primeiramente, como observa-se no livro “O Cortiço” de Aluísio Azevedo, a partir da mudança de caráter dos personagens com o passar da trama, conclui-se que o ser humano é condicionado a interpretar o mundo a partir da realidade em que ele está inserido. Não obstante, considerando a crescente intolerância à diferença presente no Brasil, inflamada por questões políticas e sociais, virou uma constante a tentativa de censurar a arte presente no país, via de regra, aquele tipo de manifestação artística que vai de encontro ao pensamento dos atuais representes no poder estatal e seu seguidores fanáticos, que são contrários a maioria das pautas progressistas no país como a da comunidade LGBT+ e, qualquer tipo de arte que venha para proteger esse tipo de pauta, é considerada uma afronta e tentativas de censura começam a aparecer, como aconteceu com a propaganda da “Boticário” que mostrava um casal homossexual e foi retirada do ar de maneira impositiva.

Outrossim, a Constituição Federal de 1988, é irrefutável em seu Art. 5 que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato, ou seja, a carta magna brasileira afirma que é livre o pensar e manifestar o seu pensamento de forma artística, dessa forma, qualquer tentativa de censura à arte, é totalmente inconstitucional e anti-democrático, tentar impor limites para artísticos é o primeiro passo para a derrubada de uma democracia, por isso é necessário ficar atento a esse tipo repressão e contrariá-la, como pensava Thomas Jefferson: “O preço da Democracia é a eterna vigilância”.

Destarte, a partir dos fatos e argumentos supracitados é mister o combate de qualquer tipo de repressão à arte. Em primeiro lugar, é necessário disseminar a importância das manifestações artísticas   de qualquer tipo desde a infância, criando uma geração de pessoas que valorizem a arte, mesmo aquela contrária ao seu viés político e social, isso pode ser feito inserindo palestras, aulas e debates em escolas  públicas e privadas de todo o país, a partir da união de esforços da Secretaria da Cultura e do Ministério da Educação. Ademais, a secretaria mencionada poderia colocar em veículos de comunicação como o Rádio, TV e Internet, propagandas de incentivo à arte e contrárias a qualquer tipo de contenção à ela. Mitigando o problema de maneira justa e democrática o que é favorável ao país.