Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 12/03/2020

Durante a Ditadura Militar brasileira, o Ato Institucional número cinco proibia qualquer tipo de representação contrária ao regime. Artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso tiveram suas obras censuradas e sofreram grande repressão pelo governo. Assim, a arte durante toda a história foi usada como símbolo e crítica a diversos acontecimentos. Contudo, devido a uma grande polarização ideológica, os movimentos artísticos têm sofrido uma grande onda de intolerância e ataques por muitos grupos de pessoas e, por isso, o debate sobre limites serem, ou não, impostos no mundo das artes tem aumentado.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a intolerância sobre esses movimentos sempre esteve presente, já que, o diferente causa desconforto na população. A Semana da Arte Moderna, por exemplo, não foi aceita pela elite local por se tratar de mudanças radicais em toda técnica e concepção visual. Desse modo, artistas e obras sofrem rejeição constantemente por grande parte da sociedade. No entanto, com o aumento de grupos de extrema direita, a perseguição no mundo artístico cresceu ainda mais. Pedidos de censura de pinturas que retratam a sexualidade, questão de gênero e que fazem criticas à religiões tem sido constantes por conta dessas associações.

Em segundo lugar, é importante lembrar que os ataques a diversos acontecimentos culturais tem se agravado com o passar dos anos. Em dezembro de 2019, um grupo simpatizante da Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932 e inspirada no fascismo italiano, atacou a sede do canal Porta dos Fundos por conta de seu especial de natal, que, de forma humorística, contava a história de Jesus. Além disso, diversas pessoas se juntaram para atacar os produtores e pedirem censura do programa por considerarem um desrespeito com o cristianismo. Logo, a sociedade se tornou intolerante com qualquer outro pensamento distinto da maioria.

Portanto, fica claro que não devem existir limites para a arte e sim, medidas para combater a intolerância artística. Para isso, o Ministério da Cultura e Lazer deve assegurar que obras não serão censuradas ou perseguidas, por meio de leis federais que garantam o direito à liberdade de expressão. O Governo Federal também deve criar políticas de incentivo ao estudo da arte nas escolas, por meio de projetos junto com as prefeituras de cada município, para que desde o ensino fundamental o aluno tenha contato com as diferentes percepções artísticas. Dessa forma, a arte continuará sendo um mecanismo contra a incompreensão e o preconceito.