Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 08/03/2020
Ferreira Gullar, importante escritor brasileiro, diz que “a arte existe porque a vida não basta”, desse excerto pode-se concluir que o movimento artístico é uma ferramenta de expressão.Nesse contexto, a arte é vista como possibilidade de pessoas marginalizadas se fazerem ouvidas e,também, como forma de protesto. Desse modo, impor limites ao mundo das artes é uma maneira de opressão ao indivíduo.
Primordialmente, é preciso parar de observar a arte de forma restritiva, para assim entender suas particularidades. Haja vista que, muitos grupos utilizam-se dela para se sentir presentes na sociedade como é o caso da cultura da periferia. Nesse cenário, a população marginalizada se faz ouvir por diversas manifestações artísticas como o hip-hop, o grafite, o samba e outros. Assim, estabelecer limites à essa forma de expressão é oprimir ainda mais os marginalizados.
Acrescido a isso, Fernando Pessoa, poeta brasileiro, escreve que a arte é a luta da autoexpressão querendo ser absoluta. Partindo do exposto, pode-se ver a arte como manifestação do indivíduo a partir da sua realidade e da opressão que ele vive. Por exemplo, o ocorrido em Porto Alegre com a exposição do Queermuseu que tinha como objetivo mostrar outras formas de famílias,sexualidades e etc., o que causou revolta de grupos conservadores. Assim, esse evento mostra qual expressão artística é aceita e qual é discriminada.
Portanto, é evidente a problemática brasileira em torno da arte e da liberdade de expressão. Assim, cabe a Secretaria da Cultura fornecer meios para diminuir os movimentos contra essa liberdade, podendo oferecer palestras nas escolas dizendo como deixar o outro se expressar é importante e ,também, liberar recursos para artistas iniciantes se manifestarem. Desse modo, cria-se uma sociedade tolerante e jovens artistas que consigam expressar suas particularidades sem a opressão dos indivíduos. Assim, a arte se torna existente em sua máxima, ultrapassando os limites da realidade como dizia Gullar.