Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 15/03/2020
A Grécia, berço da civilização ocidental, é o grande celeiro das artes na Idade Antiga. Os gregos manifestavam sua cultura por meio das peças teatrais, esculturas, poesias, entre outras formas. Nesse sentido, desde o período histórico da Antiguidade havia questionamentos por partes dos pensadores da época acerca do que seria e poderia ser considerada arte ou beleza e quais deveriam ser seus limites, fato este que ainda se mostra presente nas sociedades hodiernas. Desse modo, torna-se nevrálgico o reconhecimento dos principais causas que levam à limitação às artes na atualidade, com foco na pluralidade exposta nas artes e na educação do cidadão.
Em primeiro plano, é perceptível que a pluralidade exposta nas artes pode causar questionamentos por algumas pessoas. Segundo Platão, filosofo grego, a beleza é algo particular e individual não cabendo julgamentos desses padrões pelo homem devido a subjetividade do tema. Nesse contexto, contrários a ideia de Plantão, alguns grupos passam a questionar determinado tipo de arte por não ser compatível com suas ideologias e crenças, buscando impedir e censurar a arte de outros grupos, principalmente das minorias sociais. Logo, é basilar uma intervenção para que todas as demonstrações artísticas e culturais tenham seu espaço na sociedade, conforme prevê a Constituição Federal.
Outrossim, cabe salientar que a educação é fator primordial para que seja construída uma sociedade pautada pelo respeito e pela tolerância. Consoante dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019, o Brasil ocupou a 79ª posição no ranking que mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que leva em conta aspectos econômicos, sociais e educacionais. Com base nos dados, fica evidente que a educação pública é deficitária no país, o que impede o amplo desenvolvimento social, refletindo na intolerância social e na falta de respeito à cultura alheia. Destarte, a educação tem papel fundamental no processo de aceitação das expressões culturais, não sendo cabível a imposição de limites e proibições às artes.
Conclui-se, em síntese, que a imposição de limites as artes possui um sólido liame com a pluralidade exposta nas artes e com a educação. Diante disso, é fundamental que o Poder Executivo, por meio da Secretária da Cultura, desenvolva ações de conscientização e educação artística, por meio de aulas e incentivos à música, teatro e artes plásticas, em escolas e grupos comunitários. Com isso, expecta-se a capilarização das ações e a efetivação do desenvolvimento cultural e educacional dos cidadãos, gerando um maior respeito e tolerância às artes alheias às suas. Espera-se que com essas intervenções a problemática de cunho social e educação seja cada vez menos recorrente na sociedade brasileira.