Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 14/03/2020

Sêneca, pensador do Império Romano, acreditava que apenas as percepções da pessoa sobre o meio eram responsáveis por alterar o estado de tranquilidade mental dessa. Posta tal ideia, contesta-se a notoriedade populacional diante do âmbito artístico. Com efeito, reestruturações educacionais e midiáticas são medidas que se impõem como importantes para compreender quando há necessidade de impor limites no mundo das artes e quem possui autonomia para tanto.

Inicialmente, é válido ressaltar o desprezo dado à classe artística, sobretudo, nacional. Segundo o filósofo Bertrand Russell, para haver uma evolução nos costumes e um progresso social, é primordial a ruptura com o senso comum, ou seja, o pensamento deve ser renovado constantemente. Desse modo, indaga-se a persistência da banalização da arte, a qual, muitas vezes, recebe repercussão apenas quando  é polêmica. Torna-se perceptível, afinal, no momento em que os livros de história e literatura são marcados por nomes de artistas revolucionários. Contudo, tal revolução não tem sido adepta do público da sociedade hodierna, visto a existência, por exemplo, do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo responsável pelo cancelamento de obras expostas pelo Santander Cultural. De acordo com o portal Catraca Livre, apesar da subjetividade da arte, a opinião desse grupo de pessoas tem grande peso e, quando negativa, infelizmente, invalida a autonomia e a intenção do artista, a qual se encontra implícita.

Outrossim, é imprescindível mencionar a imagem repercutida pela mídia acerca do espaço artístico. Conforme proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade é composta por uma sociedade com interações rasas e supervalorização do material. Dessa maneira, a partir do conceito de indústria cultural, obras clássicas, como músicas tradicionais, são modificadas em prol da adaptação ao vício e o consequente consumo. É possível constatar o supracitado, a partir do momento em que, por exemplo, vendedores ambulantes fazem paródia de alguma música preexistente, com a finalidade de voltar a atenção para o seu produto. Assim, em detrimento do lucro na economia, a arte, mais uma vez, perde o objetivo inicial de proporcionar reflexão e criticidade populacional.

Por conseguinte, medidas são necessárias para que a arte seja aceita, de modo ilimitado, pela sociedade para reflexão, desde que de acordo com as diretrizes da Constituição e dos Direitos. De in[icio, o Governo Federal deve, por meio de uma reunião com os vereadores estaduais e municipais, promover um debate diante da necessidade de se impor limites para intervenção às artes, as quais, explicitamente, não ferem com a moral e o direito do cidadão, a fim de promover uma maior atenção à área artística, como um meio intelecto a ser estudado e analisado pela população. Por fim, o mundo das artes terá a visibilidade e a liberdade reconhecida.