Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 14/03/2020
A obra literária “1984”, de George Orwell, relata um futuro distópico em que um Estado totalitário controla tudo o que é divulgado para a população, no intuito de moldar o pensamento e o senso crítico dos indivíduos. Concomitante a isso, nos dias atuais, torna-se crescente o controle cultural estipulado pela política governante perante o corpo social. Nessa perspectiva, tal desafio deve ser superado de imediato para que uma sociedade coesa seja alcançada.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Declaração dos Direitos Humanos de 1948 quanto aos direitos básicos que asseguram o bem estar e a qualidade de vida da pessoa humana, dos quais, o direito à liberdade de expressão e opinião por meios diversos, tal como a arte, que tem por objetivo criticar, denunciar e transpassar as críticas pessoais do indivíduo sobre os acontecimentos da sociedade em que está inserido, sendo utilizada como instrumento questionador. Contudo, a realidade é justamento o oposto e esse contraste pode ser refletido no atual cenário. Segundo dados divulgados pela Folha de São Paulo, o Brasil registra declínio em índice de liberdade de expressão.
Faz-se mister, ainda, salientar os efeitos resultantes desse fenômeno. De acordo com os teóricos da Escola de Frankfurt, a população vive sob o conceito da Industrialização Cultural, que caracteriza-se pela ação capitalista perante diversos âmbitos sociais, dentre eles, a cultura e a informação, que são incansavelmente modificados e moldados com o objetivo de colonizar e manipular o indivíduo, tornando-o facilmente atingível pela comercialização e massificação daquilo que é divulgado pela indústria.
Infere-se, portanto, que existem entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação (MEC), juntamente com o setor midiático, promova campanhas e debates, nas escolas e redes sociais, visando conscientizar a sociedade brasileira quanto ao impasse, detalhando seu mecanismo e consequências, além de explicitar a importância da arte como ferramenta educadora e reflexiva, estimulando a prática artística pela população. Dessa forma, o Brasil pode superar o controle Estatal e midiático imposto sobre a arte.