Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 10/05/2020
Promulgado no início do século XX, o manifesto dadaísta, amplamente reconhecido, propõe a abstração e inovação da arte como crítica ao conservadorismo socio-cultural. Na contemporaneidade, vê-se resistência de grande parte do público frente a novas formas artísticas, preferindo a preservação dos padrões vigentes. Evidencia-se, portanto, a necessidade de discussão dos limites da obra de arte e de suas inovações.
O pintor Pablo Picasso retrata, por meio da geometrização das formas, o sofrimento humano no atentado à cidade Guernica, ocorrido durante a guerra civil espanhola. A obra, de mesmo nome da cidade, oferece um enfoque na subjetividade e em seu significado, muito diferente da mera preocupação estilística e padronizada dos pintores aclamados por conservadores da época.
Outra função vanguardista é a de crítica do contexto histórico em que a obra foi feita. Em meio a conflitos políticos, o escultor Marcel Duchamp transformava objetos industriais em obras de arte; “A fonte”, sua obra mais conhecida, inquietou seus observadores por tratar-se de um mictório como produto artístico. No entanto, sua função era a de ironizar o preciosismo acadêmico em períodos de guerra, servindo como ruptura da pré-definição social do período que, gradualmente, transformou-se e passou a valorizar tais obras e a idolatrar seus autores, servindo de base para a construção da identidade cultural humana.
Infere-se, deste modo, que é imprescindível a atuação artística nos valores socio-culturais da humanidade. O subsídio Estatal é determinante para a manutenção de vanguardas, que frequentemente sofrem resistência do público em suas primeiras exposições. Cabe ao espectador, por sua vez, a apreciação e a experimentação de novas formas de arte, que podem ser definidoras na construção da cultura da humanidade com o passar dos anos.