Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 12/06/2020

“-Não quero mais saber do lirismo que não é libertação” - frase do poeta Manuel Bandeira, no contexto inovações artísticas, na Semana de Arte Moderna em 1922, cuja os artistas buscavam promover uma ruptura com o academicismo e com a padronização europeia impostas no conceito de arte. Nessa vertente, percebe-se a imprescindibilidade em abster-se de limites na arte, com fins de vincular o fazer artístico ao âmbito livre de limitações, bem como com a ampla capacidade de transcendência e subjetivação.

Em primeira instância, convém ressaltar a importância que a arte apresenta em promover múltiplas interpretações e reflexões acerca da sociedade naquele contexto de produção. Nessa vertente, analisa-se pinturas, fotografias, poemas, bem como livros que exprimem, em cada veículo de propagação, de maneira atemporal, informações e interpretações ocultas advindas da imaginação e indagação individual de cada ser. Dado isso, faz-se notório a transcendencialidade presente no mundo das artes. Diante disso, o pintor Picasso a define como “a mentira que nos permite conhecer a verdade”, de modo a elevar a individualidade imaginária, assim como os conhecimentos interpretativos.

Em segunda instância, cabe salientar a subjetividade atuante no mundo artístico. Em decorrência a isso, observa-se polêmicas contemporâneas advindas de julgamentos carregados de distúrbios causados e potencializados dos moldes estabelecidos pelos meios de divulgação e informação social. Nesse viés, nota-se e cria-se uma banalização, referente as escolhas artísticas, em prol de ideologias estabelecidas por academias e instituições propagadas e persuadidas pela expansão midiática atual. Nesse âmbito, a artista performática Marina Abramóvic, performa seus espetáculos deixando exclusivamente o entendimento para cada ser observador, de modo a estimular que cada um sinta e perceba de maneira exclusiva e pessoal.

Diante desse cenário, faz-se notório a incoerência em estabelecer limites a algo que deseja exclusivamente expandir fronteiras e reflexões acerca da realidade atual e passadas. Dito isso, a medida interventiva mais adequada é estabelecer leis mais rígidas e limitadoras para mídias televisivas e digitais. Isso poderá ser realizado pelo Ministério Público Federal, com o auxílio do Poder Legislativo do país. Isso será viabilizado mediante leis que imponham apenas limites jurídicos e éticos nas influências concebidas, bem como difundidas por esses moldes ideológicos sociais. Tudo isso para que atenue as banalizações interpretativas, da mesma forma que realce o discurso de Picasso e amplie a visibilidade subtendida de artistas como Abramóvic.