Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 11/01/2021

Ao exibir de forma exagerada e distante da realidade uma problemática existente na sociedade brasileira, o filme “Bacurau” se destacou no ambiente cinematográfico mundial por utilizar da liberdade proporcionada pela arte. Porém, atualmente o país responsável por essa produção presencia polêmicas e debates no que diz respeito aos limites do mundo cultural. Entretanto, é possível analisar que, sobre perspectivas históricas e culturais, as artes não devem sofrer limitações, visto que essas impedem a colocação de discussões essenciais à evolução das sociedades e devem ser preservadas pela nação.

Em primeiro plano, ganha particular relevância a influência positiva das quebras de paradigmas ao longo do percurso da humanidade. Dessa forma, como uma negação à Idade Média, o período do Renascimento marcou a transição para idade Moderna ao se opor, inicialmente no campo artístico, aos costumes e dogmas impostos pela igreja e expor ao mundo novas maneiras de pensar. Assim, essa fase guiou os olhares da arte e da ciência para a centralidade humana e conseguiu iniciar a corrente racionalista, responsável pelas diversas modificações mundiais como as reformas religiosas e as revoluções burguesas. Portando, pode-se dizer que mesmo fugindo dos preceitos éticos do período inserido os movimentos artísticos são significativos para agregar às sociedades inovações cognitivas.

Em segundo plano, cabe ressaltar a importância cultural da livre expressão das obras no cenário brasileiro. Sob esse prisma, a artista e professora do CEFET-MG Sancha Livia, discorreu em uma palestra aos estudantes que a manifestação artística deve ser desprovida de travas para que aqueles marginalizados ou calados pelo sistema possam usufruir dessa liberdade para “gritar” ao mundo suas mazelas. Dessa maneira, é cabível pensar que a fronteira encontrada pela arte deve partir de cada indivíduo, pois esses experimentam realidades diferentes e aqueles menos favorecidos podem ser enxergados através da hipérbole, sobretudo no cenário desigual brasileiro.

Diante desse cenário, é necessária uma ação que, ciente da necessidade de se valorizar e proteger a liberdade de expressão artística no Brasil, busque favorecer esse quadro. Cabe ao Ministério da Cidadania a tarefa de popularizar o sentimento de zelo à autonomia da arte no país por meio de campanhas de valorização a essa independência. Deste modo, tal projeto deve contar com propagandas em canais televisivos que tenham a participação de artistas influentes e com a realização de eventos culturais gratuitos que exemplifiquem o valor supracitado. Contudo, espera-se que o Brasil possa usufruir da emancipação artística para a evolução cultural, para a luta contra as desigualdades e, assim como “Bacurau”, possa se realçar no cenário mundial.