Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 15/01/2021

As manifestações artísticas sempre estiveram presentes na humanidade: nas pinturas das cavernas, na arquitetura babilônica, no teatro medieval e nos romances contemporâneos, por exemplo. Diante desse panorama, é possível verificar que esses movimentos estiveram ora consoantes aos padrões socioculturais impostos, ora em oposição a eles. Nesse sentido, percebe-se que a arte surge como mecanismo de questionamento, colocando em xeque as imposições sociais e estimulando o senso crítico do coletivo. Desse modo, entende-se que limites não devem ser impostos a essa forma de expressão, sob risco de que essa ação cerceie o direito a liberdade individual.

Em primeiro plano, é necessário destacar a importância da arte autônoma para o indivíduo e para a sociedade. Nessa perspectiva, segundo Nietzsche, a manifestação permite que o ser humano estimule sua autodescoberta e seu intelecto, o que é importante para que ele expresse sua natureza e a sua essência. Diante dessa lógica, verifica-se que essa expressão é benéfica por encorajar o sujeito a se libertar da sua condição alienada e questionar o seu entorno. Vê-se, então, que limitar a arte é reduzir a capacidade do cidadão de enxergar a sua vida por outros ângulos, fato que limita sua existência.

Em segundo plano, faz-se relevante elucidar como as manifestação artísticas podem estimular o senso crítico coletivo e romper com as tradições. Sob esse prisma, destaca-se a polêmica entre Anita Malfatti e Monteiro Lobato na década de 20, em que a pintora sofreu duras críticas pelo escritor por suas obras fugirem do modelo clássico, até então vigente no país. Nesse contexto, vale ressaltar que as pinturas da artista tinham influências das vanguardas europeias, movimentos que questionavam os padrões estéticos. Esse episódio culminou na Semana de Arte Moderna de 1922, que instituiu o Modernismo no Brasil, manifestação artística que propunha a busca pela identidade nacional e o rompimento de paradigmas. Assim, fica claro o papel que a arte livre tem no desenvolvimento de uma sociedade e a importância de manter o seu status de autonomia.

Por fim, conclui-se que não se deve ditar limites para a arte. Assim, com o fito de preservar a liberdade de expressão artística, afirmada na Constituição, é dever do Judiciário garantir a livre manifestação do pensamento criativo, enquanto esse respeite os direitos humanos. Para isso, esse poder deve autuar organizações, indivíduos ou grupos que provam a censura ao mundo artístico. Nesse âmbito, os próprios artistas devem denunciar à magistratura perseguições e coerções no que tange a esse dilema. Feito isso, o direito a emancipação da arte estará garantido e, desse modo, a sociedade continuará evoluindo.