Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 30/01/2021
Desde a antiguidade, a visão humana de mundo é retratada por meio dos diversos conceitos de arte. Nesse contexto, os trabalhos artísticos realizados acompanham a evolução da perspectiva social acerca dos cenários que permeiam a coletividade, seja político ou econômico, por exemplo. Diante dessa realidade, surgem as chamadas “obras polêmicas”, questionadas por chocarem a sociedade, colocando em pauta se, de fato, devem existir limites para a arte. Dessa forma, analisar tal questionamento exposto é válido.
À vista disso, sabe-se que, dentre as propostas do movimento realista – inaugurado ainda no século XIX no Brasil – , destacou-se a demonstração do universo humano desprovida de idealizações, tal como ocorria no Romantismo. Nesse sentido, a arte renova-se à medida que passa a retratar a sociedade como ela é: ora bela e harmônica, ora disforme e caótica. Limitar a arte então, não só fere os princípios de liberdade de expressão, assegurados pela Constituição federal de 1988, mas também priva o público de despertar sua consciência a respeito do que precisa de transformação. Sendo assim, restringir o criacionismo artístico é regredir na democracia.
Além disso, é certo afirmar que muitas das ideologias hoje consagradas pelo corpo coletivo foram iniciadas por correntes vanguardistas e, a princípio, criticadas. Um bom exemplo dessa realidade está na “Semana da Arte Moderna de 1922”, a qual foi duramente desaprovada por seu teor considerado polêmico na época. Analogamente, as obras de arte tidas como “desrespeitosas” na atualidade podem, simplesmente, estar iniciando um novo ciclo ideológico ao retratarem visões que vão de encontro à comodidade da população. Portanto, a limitação artística não deve ser estabelecida, visto que priva a revolução de ideias e a saída da menoridade, conforme o filósofo Kant.
Posto isso, desenvolver barreiras para a arte é, simultaneamente, conter a evolução natural da perspectiva mundana. Nesse viés, com o intuito de incitar a sociedade a prezar o mundo artístico, o Governo Federal deve, por meio de verbas públicas, promover exposições de arte nos municipios brasileiros e, por intermédio de especialistas, explicar a população o significado de cada obra. Ademais, o ser humano deve, sim, manter sua capacidade de concordar ou não com o trabalho exposto, contudo a limitar é incoerente com a própria democracia. Assim, ao não restringir os projetos artísticos, poder-se-á atestar uma sociedade mais consciente.