Limites devem ser impostos no mundo das artes?

Enviada em 26/04/2021

A transição da idade antiga para a idade média é marcada pela hegemonia e ascensão da igreja católica. Nesse período, o catolicismo exerceu uma grande influência sob o desenvolvimento histórico, garantindo a manutenção das leis morais e éticas. Assim sendo, na sociedade contemporânea, a sua supremacia é notável, pois as leis sociais ainda sofrem e se definem a partir do que a igreja aponta como o ideal. Exemplo disso, seria o debate a respeito dos limites da expressão artística, sendo que uma onda mais recatada e sistemática se opõe fielmente a tudo que não está de acordo com os preceitos dessa cultura euro-ocidental.

Inicialmente, pensando numa perspectiva histórico-cultural, é preciso apontar o fato da arte estar altamente apoiada nos diferentes contextos sociais, habituais e comportamentais de cada cultura. A partir disso, no documentário “Baraka”, dirigido por Ron Fricke, é apresentado os diversos costumes de distintos povos existentes, o que inclui estilos de vida e diferentes expressões artísticas. Nesse sentido, ao pensar nos limites da arte, é preciso se atentar ao motivo da existência de um sentimento de estranheza diante do diferente, o qual é acompanhado por um julgamento do “outro” a partir das nossas próprias concepções e do que acreditamos ser o ideial - visão etnocêntrica.

Dessa forma, entra-se na questão da relativização cultural, que aponta a importância das pessoas não compreenderem as crenças e vivências do “outro” a partir dos próprios valores pessoais. Assim sendo, o sentimento de estranheza comentado anteriormente existe devido ao afastamento e preconceitos construídos no meio moral e social de uma sociedade em detrimento de uma outra cultura considerada inferior para aquela. Diante disso, a arte é, muitas vezes, questionada devido ao seu fator transgressor, no qual é responsável por quebrar ideias, regras e leis, ao apontar o diferente como uma questão de perspectiva e como algo normal para outras pessoas e culturas.

A partir do exposto, fica evidente a necessidade de desenvolver ações que ajudem a compreender a importância da expressão artística como uma ferramente revolucionária e reflexiva. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com os Centros Municipais, poderia efetuar ações em escolas que contribuam para a vivência artística como algo fundamental no processo de aprendizagem. Dessa forma, poderia ser desenvolvido rodas de conversas, saraus, feiras e oficinas que fomentem a experiência artística dos alunos. Além disso, o Superministério da Cidadania, o qual inclui o Ministério da Cultura, Esportes e Desenvolvimento Social, poderia criar projetos municipais que apresentem cronogramas culturais, como peças teatrais e basares, de formas mais frequentes nas cidades brasileiras.