Limites devem ser impostos no mundo das artes?
Enviada em 12/10/2021
Uma originalidade clichê
De acordo com o diretor cinematográfico Marcelo Dantas, uma sociedade isenta de uma arte transgressora e especifica é caracterizada como pobre e sem alma, isto é, sem capacidade criativa. Todavia, ao utilizar da “transgressão da arte” para sintetizar o próprio conceito artístico torna-se nítida um inevitável limitação, ou seja, uma arte que precisa se inovar em prol da arte dita “limitada”. Dessa maneira, eleva-se a importância da seguinte questão: a imposição de limite no mundo artístico é um cerceamento da liberdade de expressão ou uma forma de preservar um longo percurso de conhecimento.
A priori, a arte tem como um dos seus objetivos essenciais expressar maneiras da comunicação humana - segundo o texto divulgado pelo site “cultura genial” - e, por meio dessa ferramenta, despertar diversos sentimentos no corpo social. Nessa mesma perspectiva, conforme o filósofo Roger Scrunton, o julgamento da beleza sem fundamento racional gera uma inconveniência no aprofundamento da cultura e da arte, em outras palavras, a sobreposição da subjetividade à racionalidade ocasiona o relativismo do gosto pessoal que não pode ser discutido ou criticado, gerando assim, a fragilidade do juízo estético e a banalização das tradições essenciais das ciências humanas.
A posteriori, ao não delimitar uma linha limítrofe para a ciência artística seria improvável distingui-la de outros aspectos ocasionando, dessa maneira, um conceito vago e sem valor pois tudo passaria a valer como arte, trazendo à tona a importância de sua ordenação, dado que, segundo a reflexão de Scrunton a busca da organização é a busca da beleza estética- a qual é fundamentalada na técnica e noções artísticas passadas cruciais para a fortificação da base dessa ideia. Por outro lado, a definição do limiar da arte evita a saturação da necessidade dela se chocar a todo instante e eleva a liberdade para a busca de uma virtude racional e inspiradora capaz de desafiar a criatividade da comunidade.
Assim, um fim de fortificar o debate sobre a arte circunscrita e seus frutos primordiais à coletividade, será necessária a ação ativa dos museus nacionais. Por sua vez, o Museu nacional pode, por meio de debates abertos, promover a reflexão interativa sobre o que torna uma obra de arte ser fundamentada na racionalidade e não na arbitrariedade e, concomitantemente, como a sua análise pode conduzir as relações entre os indivíduos de uma forma positiva ou negativa. Logo, será possível preservar a herança cultural e artística visando impulsionar uma sociedade crítica e criativa.