Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 29/09/2019
Durante a Idade Média surgiu o estilo literário do Trovadorismo. Essa escrita medieval se caracterizava por, entre outros pontos, versar poemas de humor denegrindo grupos específicos, como as mulheres. Saindo da Idade Média para o Mundo contemporâneo é possível encontrar versões modernas das antigas cantigas de escárnio. Contudo, de maneira distinta ao período do Trovadorismo, os grupos sociais alvos da piada já não se calam frente a humilhação e as denunciam. Por parte dos comediantes e população em geral, a reação desses grupos tem sido vista como repressão a liberdade de expressão e excesso de uma cultura politicamente correta. Essa visão equivocada sobre os limites da liberdade e o politicamente correto tem bases em uma má influência midiática e na ineficiência registava do país.
Segundo o sociólogo Pierre Bordieu, os instrumentos da democracia não devem se converter em mecanismos de opressão. Porém, a mídia, que deveria ser um meio democrático para partilhar informações, não cumpre o seu papel quando fomenta conteúdos intolerantes através da transmissão de programas com esse viés. Quadros de comédia, por exemplo, não raro são recheados de conteúdo preconceituoso disfarçado de humor, como piadas machistas ou racistas. No entanto, quando os grupos humilhados se manifestam em oposição a esses programas, a mídia tende a expor os casos como vitimismo e reflexo do politicamente correto. Uma consequência dessa ação midiática é a deslegitimação da luto desses grupos.
Ademais, é preciso compreender que a política não tem cumprido seu papel de preservar o respeito entre os elementos da sociedade. Conforme pensando pelo jurista Rudolf von Thering, a justiça deve conciliar os interesses individuais e sociais, mas em caso de conflito deve escolher o sonho para o bem social. Depreende -se ,dessa reflexão ,que, embora a liberdade de expressão se configure como um direito individual, sua utilização para o mal-dizer cômico acaba afastando a sociedade do bem social proposto por Rudolf von Thering. Todavia, o que acontece na realidade é que a justiça ignora as denúncias sobre essas liberdadesde opressão e como consequência se perpetua uma imagem distorcida a respeito dos grupos alvos das piadas.
Portanto, se torna evidente a necessidade de esclarecer à população o que é liberdade de expressap e o que não é. Diante de tal situação, cabe ao governo, na forma de Ministério da Educação, promover uma grade curricular, que vá do ensino fundamental ao médio, com aulas a respeito da história das minorias do Brasil. Essas aulas devem ser ministras por membros desses grupos, duas vezes por semana. Somente dessa maneira o Brasil poderá romper com as cantigas de escárnio medievais e então alcançar uma sociedade mais justa e harmônica.