Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 10/09/2019
A livre manifestação de pensamento baseia-se em um direito constitucional. Por outra via, o politicamente correto é um modo de comportamento, no qual predomina-se o ideal de respeito ao próximo. Entretanto, recentemente, nota-se que esses termos foram banalizados, seja por ausência de tolerância, seja por maniqueísmo ideológico. Diante disso, evidencia-se não só uma sociedade de moralidade decadente, mas também desconhecedora de limites acerca de seus posicionamentos.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a Constituição Cidadã de 1988, no artigo 5°, garante, como direito inalienável, a liberdade de expressão. Contudo, vê-se que essa medida democrática causa confusão no núcleo social. Constantemente, casos de discriminação são retratados e, em muitos deles, o artigo 5° é usado como camuflagem para condutas hostis. Prova disso, foi o caso do prefeito carioca, Marcelo Crivella, na Bienal 2019, o qual usufruiu de seu cargo estatal para demonstrar sua intolerância e extrapolar os limites de sua liberdade de expressão ao retirar um HQ infantil que continha beijo gay.
Além disso, convém analisar os extremismos ideológicos, oriundos da polarização política. Segundo Voltaire, filósofo iluminista, pode-se haver discordância de ideias, mas não se pode existir o cerceamento de uma delas. Em face disso, observa-se que esses princípios são desrespeitados quando há radicalismos de opiniões. Em decorrência disso, o politicamente correto é deturpado, provocando a inexistência de pacificidade.
Em síntese, portanto, urge que o Ministério da Educação promova o debate sobre os limites da liberdade de expressão, com professores, alunos e responsáveis, visando despertar nos cidadãos o sentimento de tolerância ao outro, para que manifestações preconceituosas não se proliferem. Compete a mídia, em parceria com o MEC, disseminar propagandas sócio-educativas acerca da importância da pluralidade de ideias, cujo é um direito garantido pelo Constituição de 88, a fim de alertar a população que o posicionamento radical é a causa de diversas fontes discriminatórias.