Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 10/10/2019
De acordo com a filosofia de Voltaire, um indivíduo deve ter seu dirieto de expressão defendido independentemente de fatores ideológicos. Da mesma forma, no mundo contemporâneo, muito é questionado acerca dos limites entre liberdade de expressão e o políticamente correto. Entretanto, o crescimento exacerbado da defesa às minorias estimula a censura, enquanto que o excesso de liberdade de expressão intensifica a perpetuação dos preconceitos. Por isso, caminhos para alcançar o equilíbrio entre respeito e liberdade deve ser estudados.
Dessa maneira, apesar de o políticamente correto ter sido criado para atenuar o preconceito, o uso indiscriminado desse juízo apresenta riscos para a cultura do país. A exemplo, tem-se a obra “A negrinha”, de Monteiro Lobato, a qual foi levada à justiça para ser retirada da lista de leituras obrigatórias do ensino brasileiro, sob acusação de racismo por parte do autor. Contudo, censurar uma obra que faz parte do patrimônio cultural do Brasil demonstra que o movimento adquiriu caráter opressivo. Sendo assim, é necessário que a empatia pelo sofrimento da outra pessoa seja fomentado pela educação de casa, não pela criação de normas que estabeleçam condutas morais. De acordo com o filósofo grego Pitágoras, a criação de leis vai na contramão da ascenção da liberdade.
Concomitantemente, a ausência de cautela ao dirigir a palavra à outrém facilita a ambiguidade da informação, abrindo espaço para que seja mal interpretada. O diálogo deve, pois, enquanto não prejudica a liberdade de um para se expressar, desviar de expressões que possam afetar a posição social do outro. Conforme o famoso ditado popular, brincadeira é tão somente quando ambos se divertem. Seguindo esse viés, não há justiça social se o discurso têm caráter pejorativo, ou seja, quando inferioriza a condição de uma minoria que vem há anos lutando contra a discriminação, como no caso não só dos negros, como também das mulheres. Logo, piadas de mau gosto devem ser evitadas para não estimular a perpetuação de tabús sociais, haja vista que, conforme Arthur Schopenhauer, o indivíduo toma, muitas vezes, o limite de sua visão como o do mundo.
Portanto, para que o desenvolvimento da liberdade acompanhe o fim da intolerância, é preciso que o Ministério da Educação fomente, desde a infância, debates antecedidos de estudo sociológico que envolvam os direitos inerentes às diversas culturas mundiais. Com isso, será possível que se estabeleça na consciência de cada um, e não por meio de códigos morais, que o respeito merecido por uma pessoa é tal qual o que ela ela deve oferecer. Por conseguinte, não será necessário que o acervo cultural brasileiro seja prejudicado, dado que a sociedade terá notório saber de que o teor pejorativo característico de muitas obras foi em decorrência do momento histórico no qual ela foi produzida.