Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 27/10/2019

As Revoluções Inglesas do século XVIII foram o marco inicial da luta do homem contra regimes autoritários e privativos. Posterior a isso, o Iluminismo foi o responsável por estabelecer e fixar as doutrinas da liberdade. Porém, cerca de dois séculos após tais episódios, há uma desconfiguração da ideia de liberdade, a qual passou a ser usada para sustentar discursos de ódio contra minorias. Nesse cenário, faz-se fundamental o debate acerca dos limites da liberdade de expressão.

A priori, segundo Luís Pondé, filósofo brasileiro, a liberdade de expressão é falar o que quiser, porém, aceitar ouvir o que não deseja. Contudo, tal fato abre cenários para que a liberdade de expressão seja usada como arma contra minorias, ridicularizando e condenando-os por suas escolhas. Assim, é visível um paradoxo cultural no Brasil, no qual alguns podem ter a liberdade de ofender e denegrir a imagem de outro indivíduo, enquanto outros não podem fazer escolhas sobre seu próprio ser. Prova disso é o dado da revista Carta Capital, a qual diz que 55% das pessoas obesas sofrem com a gordofobia.

A posteriori, é necessária uma análise do impacto psicológico causado por frases com viés preconceituoso. Nesse sentido, piadas contra negros, mulheres, assim como homossexuais podem levar a um quadro de perda de humanidade de tais grupos, passando, assim, a não ser mais considerados como humanos, mas objeto de piadas. Dessa forma, atos hediondos contra tais grupos tornam-se menos sentimentais a quem os comete, suscitando a prática. Nesse cenário, a morte de mais de 370 homossexuais em 2015 é reflexo dessas piadas, as quais são legitimadas pela liberdade de expressão.

Destarte, consoante Paulo Freire, a educação é a única forma da sociedade ser livre e igualitária. Sendo assim, o Ministério da Educação deve criar a disciplina de Contemporaneidade, a qual deve analisar as diferentes culturas e formas de viver da sociedade atual, a fim de criar uma sociedade que veja no respeito uma forma de bons modos e, não como censura. Somado a isso, outra medida paliativa cabe à grande mídia comunicar sobre os perigos dos discursos, atenuando a desumanização das minorias, visando diminuir o número de assassinatos a tais grupos. Dessa maneira, a sociedade brasileira poderá atingir o defendido por Paulo Freire.