Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 02/03/2020
Ao analisar a história nacional, observa-se o Movimento Tropicalista, no fim da década de 60, como um dos fatores mais relevantes no quesito expressão e repressão, pois os artistas da corrente denunciavam nas músicas a realidade do país. Entretanto, não tinham pleno poder de manifestação e foram reprimidos. No contexto hodierno, a censura acabou, mas os limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto é assunto de comoção social. Dessarte, essa conjuntura se mantém pela ausência de conhecimento e pela deturpação de valores. Assim, urge a necessidade de ideias para mitigar esse impasse.
Em primeira instância, é válido ressaltar a ausência de conhecimento como fator determinante na construção cidadã, pois devido a incompreensão do real significado de liberdade - autonomia no falar e agir que não incide negativamente na vida do outro - e libertinagem - uso errado da liberdade, sinônimo de irresponsabilidade - a espontaneidade de manifestação é banalizada e vista como algo pejorativo. Por conseguinte, o artigo 5° da Constituição Federal surge como garantia do direito à livre expressão. Exemplifica bem isso, um episódio da série Anne com e, no qual a personagem e seus amigos censurados fazem um protesto com a frase: “Liberdade de expressão é um direito humano”. Logo, sabedoria é alforria.
Outrossim, visando perpetuar a empatia, o termo politicamente correto é usado para manter uma relação harmônica interespecífica entre os indivíduos. Porém a homeostase do tecido social é rompida quando a polissemia da palavra não é aceita e o policiamento sobre a expressão do outro torna-se extremamente repressivo. Em consequência dessa deturpação de valores, há a alienação e o adestramento do comportamento. Ilustra bem isso, o livro “Vigiar e Punir” de Michael Foucalt, pensador francês, o qual teoriza o sentimento de vigilância sobre o indivíduo, que gera medo de punição, caso não siga os padrões. Portanto, os fatos mencionados expõem a ausência de coesão na sociedade.
Diante do supracitado, faz-se mister ações para solucionar esse imbróglio. Por fim, cabe ao Poder Público, sobretudo na voz do Ministério dos Direitos Humanos em parceria com o Ministério da Educação e a mídia, promover campanhas interventivas - que abordem o conceito de liberdade na construção cidadã - por meio de debates nas escolas, universidades e nos meios de comunicação, a fim de estabelecer uma linha tênue entre a liberdade de expressão e o politicamente correto. Dessa maneira, a realidade atual aproximar-se-á ao Hino Nacional Brasileiro e o Sol da liberdade brilhará em raios fúlgidos.