Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 13/03/2020

Limite ou censura?

Foram por meio de diversos debates abertos que foi possível o ser humano alcançar avanços ao decorrer de sua evolução. Isso acontece pois, quando se possui liberdade de expressão, existe uma consequente liberdade de pensamento, bem como liberdade de manifestação, como declara o psicólogo canadense Jordan Peterson, e também a cronista Lindsay Shepherd, ferrenhos defensores da liberdade em prol do desenvolvimento.

Embora seja positivo no âmbito evolutivo, ofensa a terceiros é uma consequência inevitável ao exercer este direito. Em razão disso, configurada como uma espécie de agressão verbal, o conhecido “discurso de ódio”, a liberdade de expressão pode vir a sofrer censura, visto que houve o surgimento do politicamente correto, que nada mais é do que descrição de linguagens ou ações que devem ser evitadas por serem vistas como “excludentes” ou “ofensivas”.

Ou seja, esta norma de conduta politicamente correta é responsável por censurar ideias que marginalizem ou insultem grupos de pessoas dadas como desfavorecidas e discriminadas, o que confere relativo grau de intolerância em relação ao que se pode ou não manifestar publicamente. Esta intolerância esboça a restrição como um mecanismo de controle, ao visar a padronização e homogeneização das ideias individuais.

Em outras palavras, a análise crítica é amplamente afetada pela confusão de conceitos, quando se interpreta o politicamente correto como o “direito de não ser ofendido”. O livre intercâmbio de informações e ideias é crucial para o progresso de uma sociedade livre, e portanto, deve-se identificar as acusações hipócritas que falsamente defendem a liberdade de expressão.

Conforme fora colocado pelo economista e teórico anarcocapitalista Walter Block, “é fácil ser um defensor da liberdade de expressão quando isso se aplica aos direitos daqueles com quem estamos de acordo”. Isto significa dizer de que devemos lidar com a pluralidade de opiniões de uma forma natural. Como defendeu o filósofo iluminista Voltaire, “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas lutarei até a morte o direito de você dizê-las”.

Logo, é dever de todos exercer o direito de cidadania e repercutir o assunto a fim de que a pauta tenha visibilidade no Congresso Nacional, de forma que os deputados defendam o direito da liberdade de expressão e tenham massivo combate contra os projetos de lei que busquem criminalizar e punir judicialmente indivíduos apenas por suas palavras, por mais engenhosas ou estúpidas que sejam, e consequentemente, o conceito e aceitação da sociedade se transformará naturalmente.