Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 25/03/2020

Sabe-se que, conforme proferido por Jean-Paul Sartre: “O inferno são os outros.” Em vista disso, constata-se de modo incontroverso que análoga citação mostra-se congruente à contemporaneidade, visto que a ausência de empatia entre os indivíduos é cada vez mais eloquente, intitulando, portanto, os seres humanos diferentes socialmente, o inferno. Posto isso, os opressores utilizam sua liberdade de expressão, principalmente por intermédio das plataformas comunicativas, para discriminá-los.

Primordialmente, é indubitável que a pintura “O Grito”, de Edvard Munch, é o fiel retrato da relação entre os cidadãos, em virtude de que o quadro apresenta uma imagem distorcida em quase sua totalidade, incluindo o indivíduo em desespero ao centro, menos na parte em que encontram-se duas pessoas caminhando tranquilamente. Sob esse prisma, em uma análise viável, percebe-se que o autor da obra quis representar a inexistência de empatia entre a população, a qual ignora integralmente o que ocorre na existência dos demais. Dessa maneira, pode-se dar ênfase que a maioria das pessoas ignoradas pela sociedade são as que possuem essências divergentes das outras, como, a cor da pele, o estereótipo físico e até sua opção sexual.

Diante do exposto, por consequência da Revolução Industrial, houve uma assídua globalização, a qual, por intervenção das novas tecnologias, conectou milhares de seres humanos ao redor do mundo. Todavia, embora a era tecnológica tenha reduzido longínquas distâncias, ela incentivou negatividades em meio ao corpo social, uma vez que os cidadãos opressivos desfrutam de congênere comodidade, com a finalidade de agredir verbalmente os indivíduos que não se enquadram no padrão imposto pela coletividade, o que ultrapassa, assim, o limite do politicamente correto. Expõe-se, como exemplo, o episódio experienciado pela cantora Preta Gil, a qual recebeu inexoráveis comentários gordofóbicos em suas redes sociais, logo após publicar uma foto usando trajes de banho que evidenciavam suas distinções corpóreas da idealização utópica criada pela sociedade.

Em suma, é irrefutável que os seres humanos dispõem de sua liberdade de expressão para abalar psicologicamente os cidadãos diferentes dos demais. Logo, para desatar tal impasse, é dever do Ministério da Educação demonstrar à população desde a infância como expressar suas convicções sem ferir os direitos e sentimentos dos outros indivíduos, por meio de palestras ministradas por psicólogos e educadores em todas as instituições acadêmicas independente da faixa etária, a fim de que os cidadãos obtenham o conhecimento dos limites de sua liberdade de fala. Dessa forma, semelhante problemática será efetivamente solucionada.