Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 04/04/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Dessa forma, quando analisamos os limites entre as liberdades de expressão e o politicamente correto no Brasil, observamos uma discussão existente no país. Se por um lado a Constituição nos garante tal liberdade, por outro, há uma forma de censura mascarada na atualidade.
A priori, é fundamental destacar que a Constituição federal regula o livre pensamento em seu artigo quinto, prezando pela “livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Portanto, qualquer forma de repreender algum tipo de pensamento ou ideologia fere os preceitos da Constituição brasileira.
A posteriori, é possível perceber que o politicamente correto, que era pra ser uma forma bonita de respeito e convívio social foi transformado em um meio de repreensão, já que não temos controle sobre a interpretação da nossa linguagem, e assim, podemos ser interpretados livremente e repreendidos. Segundo o Psicanalista e mestre em Filosofia pela USP. Pedro de Santi, " as palavras não são coisas, e sim remetem a coisas", ou seja, quando policiamos o uso de determinadas palavras, estamos tirando seu sentido polissêmico e destruindo a cultura de um determinado povo, tornando o uso da linguagem, e posteriormente a convivência humana, impossível.
Sendo assim, portanto, ainda há entraves para garantir a construção de um Brasil melhor. Destarte, o poder midiático deve desconstruir o ideal de politicamente correto como uma forma de repressão à nossa linguagem e cultura, por meio de outdoors e panfletos espalhados pelas cidades, além de comerciais em horários nobres, construindo uma ideia de que devemos nos preocupar mais com tolerância e respeito ao próximo do que termos que podem assumir diversos sentidos. Assim podemos nos desprender de certos tabus, para não vivermos na realidade das sombras, como na Alegoria da Caverna do filósofo grego Platão.