Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 29/05/2020

Durante o Regime Militar, no século XX, criou-se um Ato Institucional que repreendeu a autonomia individual e instalou a censura. Nesse sentido, apesar da Carta Magna de 1988 garantir a liberdade de expressão perdida na Ditadura, essa conquista é usada no Brasil hodierno como justificativa de práticas preconceituosas, contrárias ao politicamente correto. Desse modo, convém analisar como a apatia e o egoísmo, bem como a alienação formam esse quadro.

Em primeiro plano, é notório que o individualismo e a falta de empatia promovem atos ofensivos velados de opiniões. Conforme o filósofo Hans  Jonas, toda ação humana deve ser pautada na coletividade e nas consequências a ela. Todavia, vê-se que essa premissa não é incorporada pela maioria dos brasileiros, pois mediante uma apatia, bem como individualidade, eles disfarçam ações desrespeitosas como posicionamentos, sem considerar o impacto social delas, visto por exemplo nos comentários maldosos nas redes sociais da atriz Bruna Marquesine acerca de sua aparência. Dessarte, quando a liberdade de expressão é usada erroneamente para ofender, é necessário freá-la.

Ademais, percebe-se que a alienação social também contribui para a problemática. Segundo Hanna Arent, filósofa alemã, a massificação do pensamento humano tornou os indivíduos alienados aos fatos cotidianos, o que fez com que os aceitassem sem questionar. Diante disso, nota-se que essa ideia alemã é vista na alienação de muitos brasileiros quanto à distinção entre liberdade de expressão e ofensa, uma vez que naturalizam piadas e expressões, como “não sou tuas negras”, extremamente desrespeitosas. Isso é inadmissível, pois enquanto preconceitos foram associados ao direito de opinar, essa garantia perderá valor moral, por ferir a integridade de alguém.

Urge, portanto, a necessidade de ações que combatam o impasse brasileiro. Sob essa ótica, as escolas devem incentivar o respeito e empatia, por meio de aulas lúdicas com teatros, debates e palestras, a fim de que sejam diminuídas práticas ofensivas. Outrossim, é mister que a mídia elucide a população acerca da distinção entre opinião e discriminação, por intermédio de publicidades que retratem essa diferença e a necessidade de freamento a comentários preconceituosos. Para que, assim, a liberdade reconquista pós-Ditadura não seja usada de maneira errada.