Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 02/07/2020

O livro “1984”, escrito por George Orwell, narra um Estado totalitário, no qual o “partido” controla através do “Ministério da Verdade” a liberdade midiática e opinativa dos cidadãos daquele país. Voltando- se da ficção, é cognoscível que a divergência de opiniões vigentes na sociedade é essencial para a manutenção das relações sociais, entretanto, é compreensível que, na contemporaneidade, a censura tem ganhado mais espaço devido as novas mídias sociais que, em compêndio, fomenta a identidade popular de coibir linhas de pensamentos opostos e favorece a incompreensão populacional acerca da semântica da linguagem nacional.

Vale ressaltar, de início, que o Estado brasileiro é o 4º país com o maior índice de censura nas redes sociais. De acordo com um levantamento feito pela Comparitech, publicada em 2019, cerca de 29,74% dos pedidos de retiradas de conteúdos das plataformas digitais são por perigo à segurança nacional e, aproximadamente, 17,83% é por motivos de difamação. À vista disso, é notório que, no Brasil, existe uma represália popular acerca dos conteúdos expostos na “web”, todavia, é essencial que haja uma análise para diferenciar o que é difamação e o que é divergência opinativa. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para mitigar tais imbróglios no território nacional, pois, conforme Antoine de Saint-Exupéry, escritor francês, “só há uma liberdade: a do pensamento.”

Em segundo plano, nota-se que grande parte da parcela populacional brasileira não compreende a polissemia das palavras. Nesse viés, o doutor em psicologia Pedro de Santi, aponta a incompreensão linguística como um grande problema da sociedade, uma vez que se tira da linguagem a dimensão irônica e polissêmica. Nesse espectro, é entendível que a comunidade brasileira utiliza muito mais do sentido pejorativo da palavra do que do sentido semântico que, em resumo, dificulta a expressabilidade e fomenta a censura linguística.

Em suma, medidas são essenciais para favorecer a liberdade de expressão e fomentar o respeito opinativo no Estado brasileiro. Primordialmente, o Ministério da Educação deve criar um projeto nacional escolar que vise abranger todas escolas brasileiras, na qual a finalidade é promover palestras e minicursos com historiadores e sociólogos, cujo objetivo é informar acerca da importância da liberdade de expressão para a formação da sociedade moderna e debater acerca do que é liberdade opinativa e o que é desrespeito social. Ademais, ONGs, engajadas em questões sociais, devem promover lives com psicólogos e sociólogos, para trazer mais credibilidade ao programa, com o desígnio de articular a reflexão e a conscientização sobre a temática pela população brasileira. Sendo assim, ações desse tipo garantirão um país mais justo e próspero.