Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 03/07/2020

Desde os primórdios da democracia, na Grécia, alguns segmentos da população - crianças, escravos e mulheres - já eram afastados dos assuntos políticos e desse modo não eram considerados cidadãos. Partindo desse pressuposto, na atualidade vê-se outros grupos que definham em direitos negados - homossexuais, negros e mulheres - demonstrando dessa forma preconceito e exclusão dos mais vulneráveis no decorrer da história. A partir desse viés que o politicamente correto surgiu, para evocar os clamores desses povos marginalizados e garantir sua participação na liberdade de expressão.

O politicamente correto é um termo cunhado nos Estados Unidos no final do Século XX para dar voz e direitos as pessoas segregadas na sociedade. Entretanto no decorrer do tempo essa expressão foi mal empregada gerando controvérsias em seu uso, sendo usada por alguns para relatar as opressões sofridas, buscando meios para suprimi-las e por outros indivíduos para gerar sentimento de ódio e “vitilismo”. Dessa forma, não há liberdade de expressão, visto que não existe respeito e empatia nos pensamentos divergentes.

Nesta acepção, surgem manifestações que legitimam o politicamente correto e garantem a sua visibilidade. Nessa perspectiva, um dos movimentos é o “rolezinho”, prática surgida a algum tempo no Brasil que resultou na inserção da periferia em frequentar shoppings, local este de convivência quase que exclusiva por elites. Além desses grupos, outras práticas sociais como os LGBT vieram para expor suas demandas e clamar por direitos como segurança, liberdade e expressão, tendo como premissa básica transformar a sociedade e sugerir renovação de pensamento.

Contudo, é necessário que o real significado do politicamente correto seja difundido em consonância com a liberdade de expressão. Para isso, é imprescindível que vários segmentos da comunidade atuem em harmonia para proporcionar os direitos a todos os cidadãos, evitando assim preconceito, discriminação e racismo. Visto isso, o governo necessita estimular ainda mais políticas de inclusão de segmentos marginalizados pela sociedade e coibir práticas discriminatórias. Além disso, as pessoas devem ser instigadas a desenvolverem empatia, seja por meio de eventos educacionais como palestras, ou na própria vivência com grupos diversificados. Apenas dessa forma o politicamente correto irá angariar sua principal função que é a inclusão de todos os indivíduos concedendo a esses sua liberdade de expressão.