Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 29/10/2020

Liberdade que condena

Monteiro lobato, um dos maiores escritores brasileiros assumidamente racista, não esmerava-se com a opinião política e social, tendo em vista que redigia, em seus textos, trechos preconceituosos. Perceptivelmente, isto não o fez pior escritor, entretanto, uma leitura leiga poderia facilmente influenciar o indivíduo a adquirir pensamentos hostis. Consequentemente, a falta do “politicamente correto” em seus livros possa ter persuadido a muitos. Logo, compor obras “politicamente corretas” seria cercear a liberdade de expressão ou a criação de uma sociedade mais tolerante?

Em uma primeira análise, deve-se considerar que, de fato, a liberdade de expressão é fundamental em qualquer sociedade democrática. Subitamente, a falta de tal liberdade cria uma sociedade segregada e cerceada da capacidade crítiica. Segundo a dialética, idealizada por Sócrates, a discussão e a contraposição de ideias é fundamental para a formação do pensamento crítico. Sendo assim, uma piada de “humor negro”, que representa o humor através do emprego de termos chulos ou de satíricos, encoraja o debate de ideias além de ser a garantia de que uma sociedade possua grande liberdade expressionista.

No entanto, a exposição a textos que não passam por nenhum filtro de ideias e palavras, especialmente de forma precoce como ocorria com os contos infantis de Lobato, gera uma sociedade extremamente nociva. Não obstante, não é ao acaso que o Brasil é um dos países mais machistas do mundo, além de ser a nação na qual mais morrem negros e homossexuais. Dessa forma, tal reflexo mostra-se extremamente danoso ao corpo social.

Em vista dos argumentos apresentados, o uso do “politicamente correto” faz-se crucial na formação de um coletivo mais tolerante. Isso porque, apesar da liberdade de expressão ser um dos pilares da democracia, a partir do momento em que uma frase em um livro ou falada condene uma pessoa a ser discriminada ou a sofrer determinada violência, tal liberdade é desprezada. Em vista disso, deve-se investir na educação básica, através de investimentos realizados pelo Tribunal de Contas da União em conjunto com o Ministério da educação na distribuição de cartilhas e palestras a fim de formar indivíduos cada vez mais tolerantes e respeitosos. Apenas assim, o “politicamente correto” seria algo praticado espontaneamente e, com isso, a sociedade brasileira estaria encaminhada para um futuro mais compreensivo e menos preconceituoso.