Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 20/12/2020
Difração
Sob a ótica do filósofo John Stuart Mill, a liberdade é a condição fundamental para a evolução do ser humano, porém ela é limitada na medida em que fere outros indivíduos. Todavia, a liberdade de expressão tem se deslocado de forma antagônica a esse postulado filosófico, dado que, é utilizada de forma desenfreada como meio para discriminar grupos sociais e afetar o sentimento de empatia. Nesse contexto, cabe analisar os elementos que nutrem essa autonomia perniciosa que danifica um dos principais pilares do convívio na sociedade, o respeito.
Deve-se pontuar, de início, a depreciação do politicamente correto em meio a uma liberdade de expressão desregulada. A filosofia moral e a ética foram reestruturadas conforme os avanços na sociedade, assim como os padrões do que era correto. Dessa maneira, com o progresso dos movimentos sociais na história, expressões com teor preconceituoso foram sendo abolidas ao longo do tempo. Entretanto, essa concepção é dissipada quando ocorre uma comunicação que não avalia esse progresso e assim gera atos discriminatórios que marginalizam a pluralidade. Dessa forma, a livre iniciativa imoderada auxilia na conservação do preconceito.
Outrossim, além do politicamente correto, essa independência demasiada gera a redução da empatia. Na perspectiva do filósofo Theodor Adorno a indiferença com o outro é elemento constituinte da sociedade moderna. Dentro dessa lógica, a falta de limites quanto ao alcance da expressão humana reafirma ao desrespeito aos indivíduos, sobretudo quando promove a inércia ao sentimento do outro, o que gera um ambiente cada vez mais nocivo e individualista. Sendo assim, a inação quanto a preocupação da dimensão dos atos comunicacionais concebe uma coletividade nociva.
Fica nítido, portanto, que em viés contrário ao de John Stuart Mill a liberdade abusiva constroi um cenário de ataque a multiplicidade e ao enfraquecimento da empatia. Nesse prisma, é vital que o Ministério da Educação fabrique projetos nas escolas com palestras e aulas sobre os riscos da extensão dos efeitos da comunicação para a proliferação do preconceito para formar uma geração que estabeleça limites. Ademais que os conglomerados de entretenimento como redes de televisão e streaming arquitetem programas e séries que destaquem a preponderância da empatia e sua importância na expressão humana a fim de arrefecer os danos de uma autonomia tóxica. Com esses atos, o ocorrerá a difração, termo da física referente à ultrapassar obstáculos, do respeito ao empecilho da liberdade desregulada.