Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 22/03/2021
A música “Cálice”, de Chico Buarque", narra a ausência de liberdade de expressão durante a ditadura militar brasileira. Ao se fazer paridade com o momento atual, essa liberdade, legitimada pela Constituição de 1988, é contestada nos diversos âmbitos do Brasil. Sob esse viés, quando os discursos de ódio se propagam-se contra minorias, torna-se um processo retrógrado, diante da Constituição. Nesse sentido, quando se tem pontos de vistas opostos, geralmente é motivo de discórdias, isso se deve ao absentismo de educação e, por tabela, de compreensão.
Essa assertiva deriva, em especial, da atuação desrespeitosa da sociedade nessa área. De acordo com O Globo, que fez uma análise em mais de três mil posts, na qual mostrou que 84% apresentam algum comentário de preconceito ou discriminação. Nessa perspectiva, é substancial um olhar mais atento da coletividade com essa mazela, uma vez que uma parcela do olhar coletivo por meio de críticas ou humor não impõe limites para tal liberdade, como trágico exemplo tem-se o evento do jornal francês Charlie Hebdo que, após sátiras com o profeta Maóme, foi vítima de atentado. Logo, gera um âmbito social discriminátorio.
Por sua vez, outro vetor é a pífia ação da mídia nessa temática. Na ótica do filósofo Sartre, a violência, seja qual for, ela sempre será uma derrota. Assim, o discurso de ódio frequente nas redes sociais é sempre uma derrota, que traz consequências ao indivíduo e ausência de punição ao inflator, pois, a ética mostra-se insuficiente e, sobretudo, aumenta as agruras de cunho social. Dessa forma, é fulcral que a imprensa reformule seu papel, com o fito de haver melhorias.
Infere-se, portanto que, nessa problemática, o olhar coletivo deve tonificar a tarefa de discussão acerca dessa esfera, por meio de palestras educativas e, por extensão, documentários inseridos nessa causa, a fim de fomentar a consciência coletiva. Ademais, a mídia precisa desenvolver um algoritmo seguro, por intermédio de investimentos em pesquisas capazes de detectar o mau uso das redes sociais, em relação as postagens, devendo excluí-las em casos negativos, com o intuito de assegurar a reputação do meio. Desse modo, para que o ocorrido retratado na música “Cálice” seja apenas um fato histórico e não ocorra novamente.