Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 23/03/2021
A eleição presidencial de 1989 ficou marcada pelo fervoroso embate entre os candidatos Brizola e Maluf. As ofensas herdadas do período ditatorial permaneceram ao longo de todos os encontros e chegaram à boca do povo. Mais de 20 anos depois, nada foi diferente: os debates presidenciais mostraram o quanto as palavras podem definir posições, e, desta vez, não chegaram só à boca do povo, mas também aos dedos, às redes sociais. Nesse sentido, convém analisar as principais causas, consequências e possíveis soluções em torno da liberdade de expressão.
Atualmente, a internet vem sendo uma grande aliada da liberdade de expressão, tornando as pessoas livres para conversarem sobre o que bem entenderem, sem pensar em possíveis consequências para tais posicionamentos. A exemplo disso, tem-se o aplicativo ‘‘Facebook’’, no qual, a partir de uma conta com ou sem identificação do usuário, pode-se ocorrer a comunicação mundial com outras pessoas, expondo sua perspectiva sobre o assunto. Em decorrência desses atos, cria-se uma sociedade que dá espaço para a manifestação dos anônimos, o que se pensa tem sido refletido na fala sem qualquer edição, ou seja, o “pensar duas vezes antes de falar” já não faz mais sentido.
Não se atendo à Internet, a opinião sem medições chegou às ruas. Como exemplo, o caso Charlie Hebdo na França, e com eles, uma chuva de mais opiniões e posições ofensivas provaram que o respeito ao próximo já não é mais limite para a liberdade de expressão. Dessa forma, o posicionamento de grupos midiáticos se tornou mais firme e reconhecível, e as divisões de ideias ficaram mais claras. Em um cenário de perda do respeito, é impossível perceber a falta que a liberdade de opinião, nos dias de hoje, é uma incógnita.
Diante de um Brasil, com pessoas que atiram no outro sem pensarem nos efeitos, é importante planejar soluções que busquem não desarmar o que seria censura, ferindo os direitos de expressão, mas educar, de forma em que cada palavra seja consciente, formando um debate produtivo e respeitoso. Portanto, as escolas, em parceria com as ONGs (Organizações Não Governamentais), podem ajudar nisso, promovendo palestras, discussões e até projetos que envolvam a questão da liberdade de expressão como um todo. Assim, pode-se, finalmente, educar sem precisar desarmar e evitar que um debate como o de 1989 venha a se repetir no Brasil.