Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 12/05/2021
A Semana da Arte Moderna, em 1922, foi uma manifestação artístico-cultural, que tangenciava os padrões da época, fato que não a fez ser bem vista ou aceita socialmente sendo alvo de críticas e desrespeito. Análogo a semana de 22, está os empecilhos relacionados a liberdade de expressão no Brasil e consequentemente a incoerência com termo “politicamente correto”, visto que quando há distanciamento dos parâmetros sociais cresce a intolerância com o diferente, ferindo a liberdade individual. Além disso, essa situação incerta é acentuada nas redes sociais, uma vez que o meio une grupos em prol do “ataque” ao divergente.
A princípio, a falta de compreensão e respeito está arraigada na sociedade, sobretudo quando se trata de expressões divergentes, pois não há acolhimento coletivo e sim intolerância. Nesse sentido, Sérgio Buarque de Holanda, na obra" raízes do Brasil" discorre sobre o “jeitinho brasileiro”, muitas vezes, problemático de lidar com o diferente, ou seja, agindo de maneira agressiva ou ofensiva, de modo que a liberdade pessoal seja ultrapassada devido ao individualismo exacerbado, esse que é responsável por atitudes negativas em virtude da própria vontade. Logo, a repreensão do direito de manifestações é parte da bagagem totalitária brasileira, uma vez que mesmo se a expressão for inofensiva ela não só ganha o título de errada, mas também é proibida na, maioria das vezes, por pessoas que só aceitam a sua verdade e desautorizam o oposto.
Nesse contexto, o cenário virtual acentua ainda mais a dificuldade de trocas lineares de diferentes expressões, pois o discurso de ódio e o cancelamento atuam nesse meio com maior facilidade. Nessa perspectiva, a série “Black mirror “apresenta episódios em que o ambiente virtual é utilizado para segregar pessoas, isto é, agrupar pensamentos iguais e distanciar os antagônicos, agravando não apenas a falta de tolerância, como também a privação de diferentes manifestações. Assim, a esfera “on-line” propicia a maior limitação de diferentes manifestações, já que as pessoas se unem em favor da inflexibilidade e propagação de ódio, por meio de ataques virtuais colocando a sua vontade em primeiro plano em detrimento dos costumes dos demais.
Portanto, esses empecilhos relacionados a liberdade de expressão que atrapalham o progresso social devem ser sanados. Nessa perspectiva, cabe ao governo cumprir os direitos humanos quanto à liberdade de expressão e ainda incentivar as pessoas a adotarem posturas positivas, por meio de campanhas e palestras em praças e escolas, evidenciando a importância do respeito ao próximo além de expor diferentes pensamentos e novas concepções, visto que seja repassado informações sobre os costumes, tradições e expressões diversas, sobretudo a empatia, para que a evolução seja coletiva. isolada. Ademais, cabe às Mídias Socias aplicarem com maior veemência regras de uso aos aplicativos e ainda punir os responsáveis por ataques de intolerância, por intermédio de logaritmos capazes não só de filtrar comentários ou publicações que ferem os direitos de liberdade de expressão ou fake news sobre determinadas culturas e práticas, mas também apagar contas que ferem a política de uso, a fim de que não haja desvalorização do oposto ou diferente, de modo a garantir a livre circulação de ideias.