Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 23/09/2021

Gregório de Matos, autor barroco, foi intitulado como “Boca do Inferno” por retratar e expor em seus poemas satíricos desvios éticos e de conduta pertinentes a sua época. Seguindo essa lógica, faz-se necessário, portanto, expor a questão da liberdade de expressão frente a sociedade contemporânea. Nesse viés, a fim de mitigar males relativos a essa temática, é imprescindível analisar não só a influência cultural na formação do indivíduo, mas também o papel da educação nesse processo.

Sob essa perspectiva, é imperioso destacar o papel da cultura como uma problemática no que tange ao tema. Nessa análise, assim como proposto pelo sociólogo Emile Durkhaim, a sociedade atua modulando o comportamento do indivíduo, desse jeito, a reprodução de preconceitos sociais através de piadas, como a inferiorização de parcelas sociais estigmatizadas, como mulheres e homossexuais, leva o indivíduo muitas vezes a repetir, inconscientemente, padrões de pensamento preconceituosos que são normalizadora através dessas piadas. Desse modo, a cultura acaba por  vulnerabilizarar a liberdade de expressão, uma vez que carrega em si fatores que levam ao questionamento do humor, que, amiúde, é barrado com limitações, uma vez que age em detrimento da imagem social do público satirizado.

Outrossim, a baixa educação mostra-se como determinante na existência de problemáticas no que tangem ao senso moral de certo e errado. Desse modo, segundo o filósofo iluminista Imanuel Kant, se há um problema social, há uma lacuna educacional. Nesse sentido, a falta de experiências educacionais que instiguem o senso crítico do indivíduo, como ao presenciar comportamentos racistas questiona-los e problematiza-los, concluindo que são errados e que não devem ser reproduzidos, coloca em xeque, desde sua formação, sua capacidade de identificar o preconceito e adota-lo em sua moral como errado, a fim de erradica-lo. Dessa forma, o indivíduo não recebe a educação necessária para impor limites aos preconceitos, o que faz  com que esse, muitas vezes, venha a reproduzi-los, colocando em xeque o que considera-se politicamente correto ao usar sua liberdade de expressão.

Portanto, cabe aos cidadãos monitorarem não só seu comportamento, mas também o da coletividade. Fazendo isso por meio de debates, diálogos e questionamentos, que usarão a problematização de questões morais para buscar opções que não interfiram em sua liberdade de expressão, podendo expandir esse controle para meios públicos e virtuais, como redes sociais. Destarte, trabalhar-se-ia na correção das problemáticas relacionadas ao poder e julgamento de moral, e questões de limitações expressão não se mostrariam mais como um problema para a sociedade, uma vez que os indivíduos não reproduziriam comportamentos preconceituosos por ter esse julgamento enraizado em sua moral, não comprometendo em si sua liberdade de expressar-se.