Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto
Enviada em 15/06/2022
Homofobia, racismo e machismo são alguns dos preconceitos vinculados às relações sociais no Brasil quando não existe limite entre liberdade de expressão e o politicamente correto. Assim, são consequências de um impasse entre o discurso de liberdade atrelado ao insulto perpetuado por pessoas que usualmente estão em posição de vantagem pela raça, sexualidade ou gênero. Desse modo, é necessário discutir acerca da temática abordada para que haja decréscimo do desrespeito.
A priori, segundo Pirro, representante do ceticismo na filosofia Helenística, para atingir-se o estado pleno de espírito é necessário respeitar e ouvir ideias opostas às suas, sem que haja julgamento, dando espaço à liberdade de expressão. Contudo, esta acompanhada de pensamentos pejorativos, age em demérito a uma classe ou grupo social e por isso deve ser combatida. Dessa forma, apesar da Constituição cidadã prever que todo cidadão tem liberdade de manifestação do pensamento, ele tem a responsabilidade de arcar com as consequências da exposição de tal.
Outrossim, o politicamente correto é estabelecido por parte da sociedade como vitimismo e isso é reflexo da crise de representatividade política do país, pois, mesmo que os negros e pardos representem 50% da população brasileira, segundo o Censo de 2010, eles são menos que 10% dos deputados federais. Seguindo esse prisma, o presidente Jair Bolsonaro, reproduzindo injúria racial, associou o cabelo “black power” à sujeira ao comentar em tom de brincadeira, “olha o criador de barata aqui”, referindo-se a um apoiador. Nota-se, assim, que modelos representativos em vantagem social não possuem o cuidado e atenção ao compartilhar suas opiniões, uma vez que os estigmas não os atinge.
Portanto, nota-se que existe um limite entre opinião e ofensa, e para que essa margem não seja ultrapassada, urge que o Executivo, atue de forma incisiva por meio de análises nas redes sociais, para que injúrias sejam punidas como previsto em lei. Além disso, é necessário que a população exerça seu direito democrático e coloquem representantes políticos que de fato representem a sociedade brasileira, para que exista responsabilidade ao expor ideias e aconteçam debates dentro dos tribunais superiores a fim de discutir atitudes ofensivas que outrora ocorreram. Dessarte, mitigando o problema apresentado.