Limites entre a liberdade de expressão e o politicamente correto

Enviada em 10/02/2023

A eleição presidencial de 1989 ficou marcada pelo fervoroso embate entre os candidatos Brizola e Maluf. As ofensas herdadas do período ditatorial permanecem ao longo de todos os encontros e chegaram à boca do povo. 33 anos depois, nada foi diferente: os debates presidenciais mostraram o quanto as palavras podem definir posições, e, desta vez, não chegaram só à boca do povo, mas também aos dedos, às redes sociais. Diante da falta de respeito em qualquer assunto e local, é válido refletir: quais os limites da liberdade de expressão no mundo de hoje?

Em primeiro lugar, para entender, é necessário analisar suas causas. Resultado de uma sociedade que dá espaço para a manifestação dos anônimos, o que se pensa tem sido refletido na fala sem qualquer edição, ou seja, o “pensar duas vezes antes de falar” já não faz mais sentido. As redes sociais têm alimentado o debate anônimo e, consequente, a manifestação de ideias sem enxergar o respeito ao próximo chegou aos debates. Um exemplo claro disso está nas próprias eleições presidenciais, quando amizades se desfizeram como resultado de opiniões divergentes. O problema, porém, não se resume só ao espaço virtual.

Não se atendo à Internet, a opinião sem medições chegou às ruas. A campanha dos adesivos, dos debates, das manifestações e os atentados a jornais desrespeitosos — e, com eles, uma chuva de mais opiniões e posições ofensivas — provaram que o respeito ao próximo já não é mais limite para a liberdade de expressão. Dessa forma, o posicionamento de grupos midiáticos se tornou mais firme e reconhecível, e as divisões de ideias ficaram mais claras.

Diante de uma sociedade que atira no outro sem pensar nos efeitos desse tiro, é importante planejar soluções que busquem não desarmar — o que seria censura, ferindo os direitos de expressão —, mas educar, de forma que cada palavra seja consciente e busque um debate produtivo. Em um primeiro plano, as instituições de ensino, em parceria com as ONGs (Organizações Não Governamentais), podem ajudar nisso, promovendo palestras, discussões e até projetos que envolvam a questão da consciência na manifestação de ideias. Além disso, a mídia e o poder público, juntos, podem trabalhar a temática e suas. Assim, poderemos, educar sem precisar desarmar e evitar que debate de 1989 se propague até os dias atuais.