Limites entre estética e saúde

Enviada em 31/10/2025

Na série “Beleza fatal” Gisela é uma mulher que sofre de um transtorno dismórfico - pessoas que se sentem feias e/ou deformadas - e se submete à inúmeros procedimentos estéticos a fim de se sentir bonita. Fora dos episódios, essa é uma realidade atual para sujeitos que vivem no limite entre a estética e a saúde. Isso ocorre devido ao cenário de influência midiática e ao capitalismo.

Em primeira análise, o papel de influência da mídia é criteriosamente questionado quando torna acirrado os padrões de beleza inalcançáveis. Nesse viés, uma reportagem da “BBC News” apontou que 80% das cirurgias plásticas na China, são feitas por mulheres a partir dos 25 anos de idade. Somado a isso, o padrão do “corpo perfeito” é midiaticamente disseminado visando a estética e desprezando os riscos à saúde - infecção, hematoma, risco de morte. Como exemplo, a polêmica cirurgia para retirada das costelas, que de acordo com o Artigo 13 do Código Civil: é proibido o ato de dispor de parte do corpo vivo. Diante disso, medidas precisam ser tomadas para que o “belo” seja um corpo plural e diverso.

Existe ainda, o sistema capitalista que dificulta o enfrentamento da questão, uma vez que seu objetivo é tornar produto tudo e qualquer costume lucrativo. Nessa ótica, centenas de anúncios disparam diariamente sugestão de compra desde cosméticos até procedimentos elaborados. É sabido a infinita quantidade de rejuvenecedores; pílulas milagrosas de emagrecimento; remodelagem do tamanho dos pés, e até mesmo mas não somente: mudança da cor dos olhos. Ou seja, onde houver possibilidades lucrativas, estará lá o capitalismo com seu “modus operandi”. Portanto, urge a superação desse sistema para que assim o lucro não esteja à frente das necessidades da população.

Fica claro, dessa forma, que o Governo Federal - instância máxima da administração pública - deve criar o programa “Saúde Já” com atendimento psicológico gratuito e direcionado à questões sociais e de autoestima do cidadão. Isso deve ser feito nas prefeituras nacionais, por meio de verbas públicas. Somente assim, a problemática será tratada efetivamente desde a raiz.