Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/10/2019

A vênus de Willendorf é conhecida como uma das esculturas mais antigas a representar o ideal de corpo feminino da época pré-histórica. Já no século 1, os homens do império romano tinham como educação o corpo físico pleno, pois um corpo atlético perfeito representava um ideal de beleza obrigatório. Sob essa óptica, no século XXI não é diferente, os padrões existem e são dissipados por toda sociedade, entretanto, chama a atenção o debate sobre os limites entre estética e saúde.

Primordialmente, torna-se necessário destacar que na contemporaneidade, onde já se existem diversas formas manipulações estéticas, invasivas ou não, observa-se que tem existido uma falta de equilíbrio no que tange saúde e estética, tendo em vista que as pessoas não conseguem distinguir a necessidade de respeitar a estabilidade que deve existir entre esses dois fatores. Segundo uma pesquisa datada pela Nielsen Holding, em 2012, o Brasil estava no topo dos países da América Latina que mais usavam remédios para emagrecer e eram os mais insatisfeitos com a silhueta, sendo que 59% das pessoas não aprovavam o próprio o corpo. Tal cenário compromete a saúde física e mental, pois, se por um lado emagrecem com a ajuda de medicamentos, por outro estão sempre insatisfeitos e em busca de novas mudanças. Logo, confirma-se quando não há inalterabilidade entre tais condições, a insatisfação constante é o ponto de partida pela busca de aceitação por padrões de beleza não reais.

Outrossim, é substancial sobrelevar que a influência do que é belo e bonito propagado incessantemente pela mídia é uma das causadoras desse contexto. Corpos malhados sem estrias ou celulites, peitos avantajados, narizes finos e demais condições estéticas são vistas em comerciais, telenovelas e propagandas de demais setores fazem as pessoas acreditarem que esse seria o ‘’normal’’, os padrões são criados cotidianamente e a busca por eles é iniciada. Sob tal perspectiva, a Indústria Cultural - termo criado pela Escola de Frankfurt - faz com que ocorra a perda de reflexão da sociedade e a aceitação de um padrão. Assim sendo, vê-se o efeito cascata tangente a tal questão sobre influências externas, que devido a perda de reflexão, são aceitas majoritariamente.

Fazem-se prementes, portanto, medidas que visem deslindar tal vicissitude social. Destarte, as instituições escolares - responsáveis por estimular o pensamento crítico e educar a população - devem buscar elucidar o esqueleto social sobre a necessidade da existência de equilíbrio entre estética e saúde. Isso pode ser feito através de debates e entrega de materiais didáticos, que visem educar sobre a história dos padrões de beleza e combater a aceitação natural dos mesmos. Em paralelo, a mídia (rádio, tv e internet) deve passar a retratar as diferenças formas estéticas de existência, tendo em vista seu auto poder de coerção, mudando a forma que a Indústria cultural influência a sociedade.