Limites entre estética e saúde

Enviada em 06/10/2019

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde, segurança e ao bem estar social. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário com relação aos limites entre a estética e a saúde. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude impunidade, busca padronizada da beleza, e seus impactos sociais.

Em primeiro plano, é preciso se atentar com relação à ausência de punição, presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”, cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência da insegurança coletiva, no que tange a violação aos direitos do cidadão que sofre com erros nos procedimentos estéticos, impedindo caminhos que levam à solução do problema.

Além disso, a insatisfação com o próprio corpo encontra terra fértil no individualismo, e na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós - modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Visto que, há como consequência à falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi o elevado índice de pessoas insatisfeito com o próprio corpo, devido aos fatores que a sociedade tem como forma de olhar para o outro, o que funciona como um forte empecilho para a sua resolução.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar essa problemática. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Saúde deve ministrar palestras em escolas, para alunos nas instituições, e também para a comunidade, por meio de entrevistas com vítimas do problema bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webs conferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre os impactos e consequências negativas que surgirão para a própria vida, e assim atingir um público maior com estratégias de prevenção, aceitação e ajuda as pessoas afetadas. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois constatou Hannah Arendt “A pluralidade é a lei da Terra”.