Limites entre estética e saúde
Enviada em 23/02/2020
Segundo o pensamento platônico, os fenômenos do mundo sensível são hierarquizados de acordo com a maior proximidade ou com o maior distanciamento que se tem da ideia pura, que revela a verdade. Nesse contexto, há vários elementos que influenciam na incessante busca do corpo perfeito, dentre eles, a mídia, que evidenciou padrões para o corpo feminino, primeiramente através do cinema, depois pela televisão, e, atualmente pela internet. Adicionalmente, a cultura vigente no campo da Medicina, a qual preconiza o ato de tratar doenças já instaladas como principal meio para se atingir a saúde, acaba atuando como um forte efeito moral sobre os indivíduos.
Dentro de um pensamento neoplatônico, observa-se que as pessoas não cultuam o corpo real, e sim, uma ideia de corpo que promovem por meio de suas experiências virtuais. A idealização estética, ao invés de direcionar o indivíduo a uma lógica responsável, embute uma falsa convicção de que o físico perfeito e saudável está relacionado a exercícios e cardápios padronizados. Porém, uma atividade física mal direcionada, mesmo de forma moderada, pode prejudicar a saúde. Ao passo em que as pessoas não conseguem atingir os resultados, visto as singularidades fisiológicas não tratadas por essas postagens, usam cada vez mais das cirurgias plásticas e cosméticos, a fim de se aproximarem ao máximo dos estereótipos, colocando suas vidas, muitas vezes, em risco.
Além disso, a partir do momento em que a Medicina é fragmentada em diversas especialidades e ocupa-se majoritariamente, de curar doenças, o Homem também passou a enxergar seu corpo por partes, e a menosprezar o equilíbrio integral do organismo. Contrariamente, o médico e filósofo francês Georges Canguilem, no século XX, ressaltou que a saúde deve ser medida pela relação das normas biológicas com o meio ambiente. Isso significa que é fundamental o desprendimento das exigências normativas, como finas silhuetas e os músculos evidentes, para que se compreenda que ser saudável dependerá de uma existência criativa, ativa e preventiva, envolvendo não somente os cuidados físcios, mas também com o social, o espiritual e o psicológico.
Destarte, em uma era marcada pela exposição do corpo através das mídias sociais e de uma grande oferta de procedimentos estéticos, a busca pela perfeição é inerente. Para combater as consequências desse processo, influenciadores digitais devem priorizar a expansão de informações relevantes em suas páginas, a respeito de hábitos saudáveis, sem induzir que os seguidores pratiquem sua rotina. Cabe às universidades, o desenvolvimento de projetos multidisciplinares, para a conscientização da população sobre a igual importância de todos os profissionais para uma prevenção efetiva de doenças. Dessa maneira, a sociedade tornar-se-á mais adaptada a priorizar o bem estar e a autoestima.