Limites entre estética e saúde

Enviada em 29/03/2020

A oposição entre estética e saúde

A letra da canção “Pretty Hurts”, da cantora Beyoncé, revela a árdua e infindável trajetória para se alcançar o padrão de beleza vigente na sociedade. Assim, a música cita que a perfeição é a doença do mundo e que é a alma, e não o corpo, que precisa de cirurgias. Essa obra também apresenta um videoclipe que aborda os problemas gerados pela busca constante ao modelo estético ideal, como a bulimia e a baixa autoestima. Fora do âmbito musical, é fato que a realidade anunciada por Beyoncé está relacionada ao mundo do século XXI: gradativamente, a mídia e a clandestinidade vêm contribuindo para a criação de uma oposição entre estética e saúde.

Em primeiro plano, é mister entender o papel da mídia como propagadora de um padrão de beldade a ser seguido. Nesse sentido, tem-se a fala do filósofo Theodor Adorno, o qual salienta que os meios midiáticos impõem normas comportamentais. Dessarte, ao colocarem pessoas brancas, com corpo magro e músculos definidos e cabelos lisos como galãs e musas das novelas e seriados e ao promoverem modelos com essas características como “sex symbols”, os veículos de comunicação em massa contribuem para a construção e consolidação da ideia de que é essencial apresentar um corpo com esses aspectos, ou seja, possuir um corpo perfeito e idealizado.

Juntamente a isso, a alta procura por intervenções plásticas que eliminem as possíveis fugas ao protótipo estético vigorante tem favorecido para o avanço das clínicas clandestinas. Isso ocorre porque, por apresentarem profissionais não credenciados e por realizarem procedimentos não regulamentados, essas corporações possuem preços mais atrativos e, portanto, configuram um risco para o bem-estar social. A exemplo do perigo desses procedimentos tem-se o caso de Lilian Calixto que, almejando atingir o corpo perfeito, se subjugou a um tratamento ilegal no apartamento do médico conhecido como Doutor Bumbum e acabou morrendo em decorrência do despreparo e descaso do profissional.

Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas. Primeiramente, o Ministério da Educação precisa promover palestras educacionais quem busquem discutir sobre os efeitos da padronização do consumo estético feito pela mídia, a fim de deportar o senso crítico da população acerca do tema. Isso seria possível por meio da cooperação com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, que busca a ética na publicidade. Ademais, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela manutenção da saúde pública no país, deve finalizar e combater a clandestinidade através da parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais saudável e distante daquela de “Pretty Hurts” à população brasileira.