Limites entre estética e saúde
Enviada em 16/10/2020
Na cerimonia de abertura da copa do mundo, no ano de 2016, a modelo Gisele Bündchen desfilou na passarela como forma de representar o povo brasileiro. Entretanto, sabe-se que as mulheres brasileiras em sua maioria não são altas, loiras e magras, como foi representado pela modelo. Desse modo, é possível identificar o padrão de beleza imposto pelos canais midiáticos, e esses podem causar sérios impactos na vida das pessoas.
A princípio, o poder de persuasão dos meios de comunicação é um dos principais fatores que acarretam na constante busca pela “beleza” ideal. Consoante à “Teoria Habitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora estruturas impostas a ela e por fim, reproduzem. Nesse diapasão, a venda da imagem ideal pela mídia é sempre associada a um produto capaz de encaixar as pessoas nesses padrões, e essa venda irresponsável de imagem e produto geram consequências desastrosas para as pessoas que desejam pertencer a um determinado grupo.
Ademais, essa imposição estética, muitas vezes quase inatingíveis, leva as pessoas a cada vez mais recorrerem a métodos agressivos que podem ocasionar na sua morte. Mediante a isso, objetivando alcançar o corpo estereotipado, o número de pessoas que submetem-se à dietas perigosas, treinos exaustivos, chás que prometem emagrecimento imediato, além de cirurgias desnecessárias e perigosas, aumentam cada vez mais, e isso tem sido a principal causa de morte em salas de cirurgias, segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.
Em suma, está claro que os limites da beleza em detrimento da saúde foram ultrapassados e isso tornou-se um problema de âmbito público. Portanto, é imprescindível o auxílio do Ministério da Saúde, juntamente com o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), principais órgãos que regem as competências nesses setores, na redução de conteúdos patrocinados pelas empresas que visam lucrar com os padrões, por meio de restrições de campanhas em canais de comunicação que possuem grande visibilidade, como Instagram, a fim de diminuir esse bombardeio constante de informações nocivas à saúde mental da sociedade, para que na próxima copa do mundo o Brasil seja representado por uma beleza menos padronizada e mais real.