Limites entre estética e saúde
Enviada em 01/05/2020
Os padrões de beleza tiveram mudança ao longo dos anos. Por exemplo, na Grécia antiga, valorizavam a forma atlética (evidenciada pela prática das Olimpíadas), já na idade média as mulheres com mais curvas em seu corpo ganhavam evidência. Nos dias atuais, com advento da tecnologia foi possível a realização de procedimentos estéticos para o alcance dos padrões de beleza da sociedade vigente, os quais são influenciados pela mídia e podem gerar transtornos aos que excedem o limite da saúde em prol da estética.
Primeiramente, é importante notar que a mídia molda o comportamento das pessoas. Tal afirmação já foi feita pelo filosofo contemporâneo Mário Sérgio Cortela, no livro “Filosofia: e nós com isso?”, no contexto da educação, mas ela é perfeitamente aplicável ao âmbito da beleza, visto que, em comerciais televisivos, revistas e outros meios de comunicação são expostos indivíduos com o corpo musculoso, com abundância de glúteos e mamas, por exemplo, além de mostrar pessoas em idades avanças com aparência de jovens. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil lidera o segundo lugar mundial por cirurgias estéticas. Desse modo, os meios de comunicação moldam a concepção de belo para a maioria dos brasileiros e aquece o mercado de “venda da beleza e juventude”.
Em decorrência disso, algumas pessoas se sujeitam a procedimentos perigosos ou não legais que podem causar à morte. A título de exemplo, em 2018, o Dr. Bumbum foi preso após ser responsável pela morte de uma empresária que havia realizado cirurgia estética com o médico não esteticista. Além do mais, pessoas que tem condições financeiras de realizar cirurgias podem adquirir transtornos nocivos à saúde como a bulimia, anorexia e depressão, os quais podem levar ao óbito, porém este último ocorre em função do suicídio. Conforme uma pesquisa realizada em 2019 pelo IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) a taxa de suicídios entre adolescentes aumentou 24% nos últimos anos. Dessa forma, o sujeito pode ser lesado ao ultrapassar o limite salutar.
Portanto, o comportamento que prejudica a saúde em prol da estética pode ser considerado um culto a aparência e deve ser desmotivado. Para isso, o Ministério da Cultura e a mídia devem não incentivar a busca pela alteração da aparência, por meio da exposição de diferentes características corporais(“gordos”, magros, etc) mediante, por exemplo, atores de novela e repórteres, com a finalidade que o povo brasileiro se sinta representado e confortável em não buscar procedimentos estéticos. Outrossim, as escolas devem promover a elucidação dos danos e benefícios corporais e psicológicos das cirurgias estéticas, por meio de lições relacionadas a matéria de biologia, com o objetivo de reduzir quadros de bulimia, anorexia e depressão.