Limites entre estética e saúde

Enviada em 09/05/2020

No clássico " A Bela e a Fera", Bela apaixona-se pela Fera, um ser totalmente fora dos moldes, ensinando que é mais importante apreciar o interior e não a aparência. Entretanto, fora da ficção, não é dessa maneira, visto que as pessoas que não se encaixam nos estereótipos de beleza (nariz e cintura finos, seios volumosos, cabelos lisos e corpos magros) ficam obcecados para alcançá-los por meio de procedimentos que violam sua saúde. Assim, é necessário compreender como a exposição de um único perfil de características na Mídia e  a difusão  de procedimentos ditos milagrosos colocam em risco o bem estar dos brasileiros.

Por certo, é recorrente aparecer nas propagandas da TV e Internert  determinados tipos de corpos, consequentemente não há a exibição de variados traços que os habitantes do país possuem, representando, assim, a imposição de padrões estéticos. Por conseguinte, segundo o cirurgião plástico Douglas Jorge, em entrevista dada ao site Gente, as pessoas que desejam mudanças exclusivamente estéticas, geralmente, portam influência externa, dessarte, ocorre a banalização das intervenções estéticas devido a criação do “corpo ideal pela Mídia. Em suma, a obsessão pelo perfeito idealizado causa complicações à saúde  do indivíduo, como depressão, ansiedade, transtornos alimentares (bulimia) e até o suicídio.

Outrossim, há a divulgação de procedimentos que prometem satisfazer as vontades do cliente fielmente, no entanto, não cumprem o anunciado, ofertando risco à saúde daquele que o utiliza. Desse modo, o filósofo polonês Zygmunt Bauman, aborda tal ato na obra " Cegueira Moral”, atestando que o mal revela-se na insensibilidade diante do sofrimento do outro, afinal, muitos dos que vendem procedimentos como dietas severas, bronzeamento artificial e depilação a laser não se importam com as consequências que eles podem acarretar ao indivíduo. Logo, os cidadãos que utilizam tais técnicas podem apresentar graves efeitos colaterais como inflamações, desnutrição, perda de membros e infecções generalizadas com possibilidade de morte.

Portanto, cabe à Mídia ( cuja função é instruir e influenciar o cidadão de modo positivo) a exposição da multiplicidade das pessoas, por meio de campanhas publicitárias inclusivas, compostas por protagonistas de diversas cores, formas, idades e particularidades, a fim de demonstrar que as diferenças são belas. Além disso, o Ministério da Saúde deve atuar na vistoria de clínicas e profissionais de estética para identificar métodos que ofereçam ameaça à saúde do indivíduo, interditando aquelas que não agirem de modo ético, com objetivo de estabelecer limites entre saúde e estética.