Limites entre estética e saúde
Enviada em 02/05/2020
Na produção cinematográfica infantil " Branca de Neve", a personagem antagonista pratica atos deploráveis e irresponsáveis, a fim de ser considerada portadora de uma beleza singular e extraordinária. Embora narrada sob um viés fictício, a obra, de certo modo, se equipara à real conjuntura, posto que milhares de indivíduos, sobretudo o público feminino, têm se submetido a procedimentos estéticos arriscados, com o fito de alcançar aprovação e encaixe nos padrões de beleza. Diante disso, é irrefutável que esse quadro - fomentado pela mídia - provoca questionamentos acerca do limite entre estética e saúde.
A princípio, é imperioso destacar que a busca frenética por procedimentos estéticos é fruta da consolidação de paradigmas na população. Consoante à “Teoria do Habitus”, engendrada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade cria padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelas gerações seguintes. Nessa lógica, a tendencia de seguir modelos prescritos pela indústria de moda culmina na exiguidade de limite entre a estética e a saúde.
Por conseguinte, a vulgarização e a banalização de cirurgias plásticas tornou-se uma realidade que integra o cenário brasileiro. A respeito disso, é fato que, segundo a pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil assumiu a posição de maior consumidor de procedimentos estéticos no mundo. Esse panorama denota a insaciável busca populacional pela aceitação coletiva de aspectos relacionados à beleza física, em detrimento da precaução em cuidar e manter a saúde física e mental.
Depreende-se, portanto, que essa problemática deve ser minimizada. Para isso, cumpre a SECOM ( Secretaria Especial de Comunicação Social) em sinergia com veículos de comunicação, promover a conscientização da sociedade e erradicar paradigmas e estereótipos que associam beleza física e bem-estar, a fim de reverter essa conjuntura e evitar que mais pessoas se envolvam de forma irresponsável e ultrapassem as delimitações entre estética e saúde. Dessa forma, as práticas da personagem infantil, estimuladas pela ambição descomedida de alcançar o título de mais bela, deixará, portanto, de ser comparada com as ações realizadas pelos cidadãos do século XXI.