Limites entre estética e saúde

Enviada em 01/05/2020

Os padrões de beleza tiveram mudança ao longo dos anos. Por exemplo, na Grécia antiga valorizavam a forma atlética (evidenciada pela prática das Olimpíadas), já na idade média as mulheres com mais curvas em seu corpo ganhavam evidência. Nos dias atuais, com advento da tecnologia, foi possível a realização de procedimentos estéticos para o alcance dos padrões de beleza da sociedade vigente, os quais são influenciados pela mídia e podem gerar transtornos aos que excedem o limite da saúde em prol da estética.

Primeiramente, é importante notar que a mídia molda o comportamento das pessoas. Tal afirmação já foi feita pelo filósofo contemporâneo Mário Sérgio Cortela, no livro “Filosofia: e nós com isso?”, e pode ser exemplificada pelas inúmeras cirurgias estéticas no país, as quais, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), conferem o segundo lugar mundial do Brasil nessa área. Isso ocorre porque, constantemente, em comerciais televisivos, revistas e outros meios de comunicação são expostos, por exemplo, indivíduos com o corpo musculoso, com abundância de mamas, e pessoas em idades avanças com aparência de jovens. Desse modo, os meios de comunicação moldam a concepção de belo para a maioria dos brasileiros e aquece o mercado de venda da beleza e juventude.       Em decorrência disso, algumas pessoas se sujeitam a procedimentos perigosos ou não legais que podem causar a morte. A título de exemplo, em 2018, o Dr. Bumbum foi preso após ser responsável pela morte de uma empresária que havia realizado cirurgia estética com o médico que não possuía especialidade de esteticista. Dessa forma, observa-se que há pessoas que se aproveitam de sujeitos que não possuem condições financeiras de realizar cirurgias de correção corporal em locais seguros e legais, e essas, por sua vez, submetem-se a ultrapassar o limite salutar.

Portanto, o comportamento que prejudica a saúde em prol da estética pode ser considerado um culto à aparência e deve ser desmotivado. Para isso, o Ministério da Cultura e a mídia devem não incentivar a busca pela alteração da aparência, por meio da exposição de diferentes características corporais (“gordos”, magros, etc) mediante, por exemplo, atores de novela e repórteres, com a finalidade que o povo brasileiro se sinta representado e confortável em não buscar procedimentos estéticos. Outrossim, o Ministério da Saúde deve fiscalizar as clínicas estéticas que atuam de maneira irregular, por meio da exigência de fiscalização da vigilância sanitária de cada cidade, de modo que sejam repassados ao governador estadual e, por sua vez, seja entregue um relatório ao Ministério da Saúde. Tal ação tem o objetivo de punir os malfeitores e proteger a população contra esse tipo de crime.