Limites entre estética e saúde

Enviada em 25/05/2020

Na música “Pretty Hurts”, a cantora Beyoncé traz para discussão um tema bastante atual: os efeitos causados pela busca incessante da beleza. Diante disso, a relação entre estética e qualidade de vida, proposta pela canção, pode ser entendida como uma batalha, cujo o inimigo é você mesmo. Isso decorre, em tese, devido à constante reprodução de valores irreais sobre os corpos pela mídia, uma vez que essa utiliza de instrumentos alienatórios para modificar a percepção dos indivíduos sobre si.       Em um primeiro plano, cabe ressaltar o papel dos meios de comunicação na distorção da realidade. Nesse sentido, o escritor Guy Debord em seu livro “A Sociedade do Espetáculo” aponta para a existência de uma fenômeno de espetaculização das relações humanas na contemporaneidade, em que os ideias de prazer e modos de viver são difundidos de maneira ilusória à grande massa da população, com o intuito de gerar uma padronização da vontade geral. Nesse caso, por meio de propagandas e representações teatrais, a mídia influencia a reprodutibilidade dos padrões estéticos que achar conveniente ou, até mesmo, lucrativo.

Sob outro prisma, é válido destacar que a admissão de necessidades distantes da vida real provoca consequências terríveis as pessoas. Em consonância, o psicanalista Sigmund Freud auxilia essa compreensão ao indicar que interferências bruscas na identidade dos indivíduos podem causar psicopatologias irreversíveis. Dentre essas doenças, estão a bulimia, a anorexia e, em pequena medida, o narcisismo, exemplos corriqueiros que acometem diversas vítimas.

Destarte, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Cabe ao Ministério Público Federal notificar as grandes corporações de televisão, jornal e revista sobre os efeitos causados pela propagação de ideais de beleza. Tal proposta deverá ocorrer mediante aos ofícios institucionais do Órgão, a fim de cessar a veiculação de comerciais, notícias e representações de cunho interventivo na saúde psicológica e física das pessoas. Espera-se que, com essa iniciativa, a dualidade entre o “ser feliz” e o “ser belo” torne-se uma grande redundância linguística.