Limites entre estética e saúde
Enviada em 30/06/2020
Na mitologia grega, a história de Narciso, um dos mitos mais conhecidos, relata que este tinha uma beleza singular e que lhe foi avisado que teria uma vida longa se jamais admirasse sua beleza. Todavia, Narciso ignorou os avisos e começou a apreciar a sua imagem até consumir-se e morrer. Sob esse viés, na atualidade, a estética ultrapassou os limites da saúde, de modo que há diversos narcisos na sociedade moderna. Sendo assim, tal problema ocorre devido à falta de conhecimento e à cultura do consumo.
Constata-se, a princípio, que a falta de conhecimento perpetua o cenário em que a estética perpassa as barreiras da saúde. Nesse sentido, com a atual era tecnológica, as pessoas estão expostas a diversos conteúdos disseminados pelos meios informacionais, que acabam influenciando a personalidade e modo de vida das pessoas, como o universo da moda e da beleza. Consequentemente, tal cenário acaba criando estereótipos que são exercidos e naturalizado por todos e, ao não conseguirem seguir essas “demandas”, tendem a ficarem mais ansiosas e depressivas, que acaba denegrindo a saúde de todos. Esse fenômeno caracteriza indivíduos de menoridade intelectual, que segundo Immanuel Kant, são aqueles ausentes de autonomia sob seus intelectos.
Outrossim, somado ao supracitado, a cultura ao consumismo corrobora para a valorização da estética em detrimento da saúde. Byung Chul Han, filósofo coreano, dissertara que o consumo apresenta-se como forma de sanar as inquietudes da vida e como alternativa para felicidade imediata. Nesse contexto, o consumo desenfreado mostra-se como maneira de se enquadrar nos moldes atuais da sociedade, de forma que esse materialismo exterioriza-se como prestígio de status social. Nessa lógica, o ato de comprar assemelha-se a uma imagem de prosperidade e plenitude, que, ao não serem conquistados, atuam como fatores que podem determinar diversos efeitos negativos, seja por crises ansiedade, ou distúrbios alimentares.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas sejam tomadas para obliterar as questões dos limites entre a estética e a saúde. Para isso, cabe ao Ministério da Educação construir um perfil crítico na sociedade, por intermédio da intensificação de aulas de Filosofia e Sociologia, que irão, mediante filmes e documentários, dissertar sobre o papel negativo que os estereótipos exercem, a fim de que esse problema seja sanado e a sociedade não seja mais alienada. Ademais, o Estado deve, ainda, na figura dos perfis midiáticos, atenuar o consumismo, por meio da criação de um programa televisivo denominado “Detóx Consumista “, o qual irá trabalhar a questão do consumo sobre a saúde das pessoas, com o intuito de que a problemática seja evitada e os Narcisos da atualidade desapareçam.