Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/06/2020
Na mitologia Grega, Procusto, o mutilador, possui uma cama de ferro de seu tamanho, e aqueles que passavam por sua casa eram obrigados a deitar. Assim, cortando ou esticando, Procusto padronizava suas vítimas. Esse personagem representa a sociedade, a mídia e a indústria de cosméticos, uma vez que simboliza os padrões de beleza a serem adotados e normatizam comportamentos e estereótipos, o que caracteriza a ditadura da beleza. Infelizmente, essa padronização viabiliza sequelas nocivas à Saúde física e mental do indivíduo. Tendo em vista a importância da estética na sociedade contemporânea, faz-se pertinente analisar os limites entre estética e saúde.
Primeiramente, deve-se considerar a importância da estética na sociedade atual. Ademais é notada uma hipervalorizarão da aparência no contexto em que ela é necessária, como no mercado de trabalho e nas diversas relações sociais, como amorosas. Ou seja, quando a aparência prejudica essas relações e até mesmo a autoestima, as intervenções cirúrgicas ou de outra natureza justificam-se. Para ilustrar essa ideia, pode-se citar o filosofo Deleuze, cujas ideias elucidam uma sociedade de controle, na qual instituições como a mídia disputam a produção de pensamento, por meio do poder e da subjetividade, reproduzindo nas pessoas um comportamento controlado. Portanto, em uma sociedade narcisista, a beleza torna-se a base da autoestima do indivíduo.
Todavia, fica evidente que, motivado pelas imposições da mídia, a preocupação com a saúde é deixada em segundo plano na sociedade. O Padrão de beleza presente nos dias de hoje, por exemplo, contribui para o agravamento de um problema presente no meio estético, a falta de limite. Isso porque, alguns médicos não cumprem com a ética e permitem procedimentos exagerados do ponto de vista estético. Como prova, as cirurgias em excesso do brasileiro Rodrigo Alves, mais conhecido na mídia como Ken Humano, ao qual se submeteu à mais de 80 procedimentos estéticos, e já teve rosto desfigurado por complicações cirúrgicas. Desse modo, fica evidente que essas imposições ignoram os prejuízos à saúde física e principalmente mental. Portanto, diante das discussões, pode-se concluir que é possível conciliar estética e saúde, desde que os limites sejam determinados pelo médico. Embora a beleza física, seja importante dentro da sociedade a saúde é extremamente negligenciada. Inegavelmente, a mídia junto à comunidade médica, deve por meio de estímulos favorecer o equilíbrio entre estética e saúde. Além disso cabe ao CFM (Conselho Federal de medicina), garantir os preceitos éticos e promover uma maior fiscalização da prática médico cirúrgica, assim a mídia e médicos podem contribuir para uma harmonia na relação saúde e estética.