Limites entre estética e saúde
Enviada em 02/10/2020
Debate-se com frequência acerca dos limites entre a estética e a saúde, haja vista que a busca indiscriminada pelo padrão de beleza imposto pela mídia leva muitas pessoas a passar por procedimentos estéticos, dietas e práticas que colocam em risco sua integridade física e mental na busca pela fisionomia perfeita. Isso ocorre, principalmente, por causa da grande exposição midiática que dissemina esse ideal estético como o único valido para ter uma vida digna e feliz. Além disso, a falta de consciência de grande parte da população, que é alienada pela mídia e redes sociais é outro fator que contribui para essa problemática. Assim sendo é imprescindível que o poder público tome medidas para mitigar essa situação.
Em primeiro lugar, o avanço das propagandas midiáticas e redes sociais que divulgam esse ideal de beleza, cada vez mais editado e irreal, leva pessoas a se sentirem insatisfeitas com seus corpos por não possuir o físico perfeito. Dessa maneira, muitos indivíduos buscam alternativas para alcançar uma aparência que é repleta de edição, para isso se utilizam de procedimentos estéticos e muitos até acabam desenvolvendo transtornos alimentares e ultrapassam a fronteira entre beleza e saúde. Segundo uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2020, aproximadamente 4,7% dos brasileiros sofrem com algum transtorno alimentar, e as redes sociais tem grande influência no desenvolvimento desses problemas.
Outrossim, a alienação que grande parte da população sofre com a influência da internet e dos meios de comunicação, que supervalorizam a magreza e o corpo perfeito contribui para o aumento dessa problemática. Isso se deve à falta de uma educação midiática, que ensine as pessoas a ter uma postura crítica sobre o conteúdo que estão consumindo e não se influenciar com o exposto na mídia. Em decorrência dessa falta de consciência muitas pessoas se sentem infelizes com seus corpos e tem vergonha deles, como retratado no filme “Sierra Burgess é uma Loser”, de 2018, no qual a protagonista tem vergonha de se apresentar para o seu namorado virtual por não possuir a aparência “ideal’'.
Assim sendo, é imprescindível que o poder público aja por meio do Concelho Nacional De Imprensa e Propaganda (CONAR) e do Ministério da Educação (MEC) para reduzir a alienação da população e diminuir a propagação desse ideal irreal de beleza. Para isso, o CONAR deve realizar uma proposta de lei para o Poder Legislativo, que vise limitar a quantidade de edição nas propagandas midiáticas, com o intuito de reduzir a divulgação dessa ditadura da beleza ilusória. Ademais, o MEC deve implantar a educação midiática nas instituições de ensino, com o intuito de incentivar o desenvolvimento do senso crítico dos educandos e contribuir para uma sociedade menos alienada e mais consciente.