Limites entre estética e saúde
Enviada em 19/07/2020
No livro “Hipermodernidade”, de Gilles Lipovetsky, é retratada uma sociedade na qual os indivíduos estão mais informados, porém, ainda não críticos, análogo à realidade vivida no Brasil. Com isso, evidencia-se um corpo social marcado pela dicotomia da responsabilidade ou irresponsabilidade. Nesse sentido, percebe-se que os principais motivos que levam à falta de limites entre estética e saúde são o transtorno dismórfico corporal, preocupação excessiva com os defeitos na aparência física, e o padrão de beleza imposto pelas mídias.
É imprescindível ressaltar, a princípio, que o transtorno dismórfico corporal é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com historiador Eric Hobsbawm, o século XX foi marcado pela era dos extremos devido ao paradoxo: de um lado, os avanços tecnológicos e de outro, o extermínio de cultura e povos. Tal qual se verifica no atual cenário brasileiro, no qual se investe em tecnologias de informação, mas não na melhoria da área de saúde mental. Além disso, o padrão de beleza imposto pelas mídias, faz com que as pessoas procurem por procedimentos, como cirurgias plásticas, sem se preocuparem se vão prejudicar a própria saúde.
Ademais, é importante destacar, também, que a sociedade vive em constantes riscos ao banalizar as intervenções estéticas como teorizou o sociólogo Ulrick Beck, na obra “A sociedade do risco”. Assim sendo, a principal consequência é na área da saúde, pois a população, que tem excesso de preocupação com a estética, costuma por a vida em risco, por exemplo, ao realizar procedimentos clandestinos, o que resulta em várias mortes. Segundo os dados da ISAPS, o Brasil é o segundo país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo .Logo, verifica-se a falta de responsabilidade do Estado e da sociedade. Desse modo, são necessários novos agentes de mudança quando se trata da relação entre os seres humanos.
Portanto, a falta de limites entre estética e saúde é um desafio para o universo do homem social. Sem dúvida, nesse mundo globalizado, são necessários investimentos na Educação Social, a fim de adquirir novos valores e mudar a conduta, porque se percebe uma distorção de comportamentos. Por isso, os Institutos de tecnologia, em parceria com o Ministério das comunicações, por meio de projetos de apoio social, devem criar plataformas digitais, a exemplo do “Youtube”, já que são instrumentos de longo alcance, com documentários e até orientações sobre os prejuízos causados pela banalização de procedimentos estéticos, com o objetivo de mostrar que ser saudável é melhor que seguir os padrões impostos, o que irá favorecer a sociedade como um todo. Assim, é preciso ter atos responsáveis para uma sociedade mais igualitária.